Brusque, 15 de novembro de 2018   |   06:11

Palestra

A Associação Empresarial de Brusque (ACIBr), realizou na noite de quarta-feira, 12 de setembro, no Centro Empresarial, Social e Cultural de Brusque (CESCBr), a palestra “Planejamento sucessório patrimonial”, ministrada pelo advogado Dr. Marco Aurélio Poffo. O evento reuniu mais de 30 inscritos, número significativo quando se leva em consideração o volume de empresas familiares instaladas em Brusque e região.

“A sucessão é um assunto importante para a continuidade do negócio. Ao mesmo tempo, falar sobre isso também é delicado e até polêmico. Por isso, a ACIBr fez o convite ao Dr. Marco para compartilhar este conhecimento e nos esclarecer algumas dúvidas que temos, enquanto empresários e membros de famílias . No meu caso, sou a segunda geração na empresa e reconheço a importância de se inteirar sobre o assunto”, afirma o presidente da ACIBr, Halisson Habitzreuter.

Segundo ele, cada empresa que inicia o trabalho tem a oportunidade de se manter no mercado e, com o passar dos anos, vai depender de alguém, seja gestor ou familiar, para continuar em operação. “A ideia é de se perpetuar. E a alta gestão da empresa, que são os proprietários, devem estar cientes desta necessidade de pensar em sucessão, para que o negócio não sofra no futuro”, observa Halisson.

De acordo com o presidente da ACIBr, no entanto, as empresas familiares já demonstram a consciência da profissionalização. “Temos muitas que já estão capacitando as futuras gerações para assumir os negócios. Aliás, o próprio negócio também se reinventa, agrega novos serviços e formas de trabalho. A permanente evolução das empresas é importante em todos os sentidos”, avalia. 

“Menos de 10% das empresas familiares têm sucessão”

É exatamente olhando para a realidade das médias e grandes empresas de Brusque e região, que o Dr. Marco Aurélio Poffo fez sua explanação sobre o planejamento patrimonial sucessório. Para ele, não são raros os casos de brigas familiares e disputas judiciais envolvendo patrimônio após a morte de um empresário ou de um dos sócios da empresa. E a pior consequência pode ser a falência da empresa.

“Não precisa chegar neste ponto. Existem maneiras societárias, tributárias e sucessórias de planejar o inventário ainda em vida, pagando o menor tributo possível. Assim é possível organizar a sucessão do negócio e permitir que o patrimônio construído se perpetue”, afirma o advogado, Dr. Marco Aurélio Poffo.

O profissional destaca que doações do patrimônio em vida podem ser feitas, inclusive, com  cláusula de incomunicabilidade, ou seja, um mecanismo que impede genros e noras de se envolverem no patrimônio deixado. “Você tem dois filhos, um trabalha na empresa e o outro não. Como ficaria esta relação no caso do seu falecimento? Quem vai comandar a empresa e ter o voto majoritário, no caso de disputas? Tudo isso se consegue organizar em vida, através de documentos como o acordo de cotistas ou acordo de acionistas, que é um acordo familiar onde se começa a regulamentar o futuro da empresa. Esta definição, muito provavelmente, vai evitar conflitos no futuro”, enfatiza Poffo.

De acordo com o advogado, o tributo pago para a sucessão ainda é baixo. O valor mais caro é o do inventário. “Não tem um momento específico para se fazer este investimento. Quando os filhos atingem certa idade, ou quando as empresas têm mais sócios, é importante começar a pensar no assunto. Falecendo um dos sócios, como ficam seus herdeiros? Às vezes, entra a esposa e os filhos que não tem nada a ver com a empresa e nem perfil para administrar. Eles podem, inclusive, gerar ingerência. Por isso vale à pena estudar opções”, pontua o advogado.

Como o planejamento patrimonial sucessório envolve instrumentos jurídicos, é importante a presença de um advogado. Também participam deste processo a contabilidade da empresa e a própria família.

“Vale lembrar que menos de 10% das empresas familiares tem sucessão. Existem situações em que a empresa para de funcionar em caso de falecimento do gestor. São funcionários e fornecedores que deixam de receber. Estou aqui para plantar uma semente do que é importante pensar. Mesmo que não se faça agora, mas que em algum momento deva acontecer para que o patrimônio cresça e não suma no decorrer do tempo”, enfatiza Poffo.

Repórter: Ideia Comunicação
Imagem: Ilustracão


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