A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) concedeu, pela primeira vez no Brasil, um certificado de aeronavegabilidade para balões de ar quente tripulados. A certificação, publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (10), diz respeito a cinco modelos da fabricante paulista Rubic Balões, com capacidade para até 13 pessoas. Esta autorização é um marco para a aviação civil brasileira, especialmente após uma série de tragédias envolvendo balões no país.
Processo rigoroso de certificação garante maior segurança
Os balões da Rubic são os primeiros a cumprir os requisitos do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC) nº 31, voltado para a aeronavegabilidade de balões. O processo de certificação, que durou três anos, envolveu análises detalhadas dos projetos, desempenho e fabricação dos componentes dos balões. Testes minuciosos foram realizados, incluindo ensaios de montagem, pilotagem e uso de instrumentos, para garantir que os equipamentos atendessem aos mais altos padrões de segurança.
Marina Kalousdian, diretora da Rubic Balões, destacou a importância da certificação: “A autorização transforma completamente a forma de produzir, porque passa a exigir que todo o processo produtivo tenha rastreabilidade e garantia junto a todas as partes envolvidas. Isso eleva o nível operacional de segurança para toda a operação.”
Diferente dos balões anteriores, mais seguros e com certificação
Antes da certificação, muitos balões no Brasil operavam sob o RBAC nº 103, voltado para atividades aerodesportivas, que não exigia certificação de aeronavegabilidade nem licenciamento para pilotos. Outros, como o balão envolvido no trágico incêndio em Praia Grande, eram registrados como experimentais, com restrições de voo sobre áreas densamente povoadas.
A certificação dos balões da Rubic é um avanço significativo, pois garante que os modelos atendam aos requisitos de segurança exigidos para a operação comercial. A medida não apenas aumenta a segurança, mas também oferece aos clientes a certeza de que estão adquirindo um produto de qualidade comprovada.
Certificação vem após tragédias em SC e SP
Essa mudança acontece menos de um mês após o incêndio em um balão em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina, que resultou na morte de oito pessoas. Um outro acidente também matou uma mulher nas proximidades de Boituva, em São Paulo. Embora esses trágicos acontecimentos tenham ocorrido enquanto o processo de certificação estava em andamento, Kalousdian afirmou que os acidentes não interferiram no cronograma. “O processo é demorado porque é necessário provar, por meio de testes e ensaios, o cumprimento de todos os requisitos técnicos. O prazo de três anos foi considerado razoável”, explicou.
Novas regras para o balonismo
Além da certificação dos balões comerciais, a Anac está em processo de atualização das regras que regulamentam a atividade de balonismo no Brasil. As mudanças foram impulsionadas pelos recentes acidentes e têm como objetivo garantir a segurança e a sustentabilidade do setor. Em 2025, a Anac realizará uma consulta pública para criar critérios mínimos para a operação de balões comerciais, com a implementação de restrições claras para as atividades que não se enquadrarem nas normas de segurança.
A longo prazo, as novas regras visam criar um ambiente completamente certificado para o balonismo comercial no Brasil, garantindo que os operadores sigam normas rigorosas para garantir a segurança dos passageiros.