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Audiência pública discute sensores de glicose para diabetes tipo 1

Evento reuniu especialistas e representantes do Executivo e do Legislativo

Fonte: Talita Garcia/Câmara Municipal de Brusque

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A comunidade brusquense lotou o plenário da Câmara de Vereadores na noite da última quinta-feira, 19 de março, para debater em audiência pública o uso de sensores de monitoramento de glicose para pessoas com a diabetes tipo 1. Na oportunidade, diversas manifestações evidenciaram o pleito pela distribuição desses equipamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Proposto pelos vereadores Joubert Lungen (Podemos), Jean Pirola (PP) e Antonio Roberto (PRD), o evento contou com a participação de especialistas no assunto e representantes do Executivo e do Legislativo.

Na tribuna, o endocrinologista Frederico Marchisotti, presidente eleito da Sociedade Catarinense de Endocrinologia, lembrou que a diabetes tipo 1 é uma doença crônica, tem origem autoimune e pode causar uma série de complicações ao paciente, como problemas renais e no coração. O médico destacou os benefícios dos monitores de glicose para os pacientes: “Todos os estudos mostram a melhora do controle glicêmico, menos hipoglicemias, a redução de eventos de emergência, de hospitalização, de dias de internação, ou seja, tudo isso vai levar a uma melhor qualidade de vida e à redução de absenteísmo no trabalho”. O profissional defendeu a ampliação do acesso ao recurso, considerando os impactos positivos para o tratamento: “Se a gente pudesse, usava para todo mundo”.

Já a endocrinologista pediátrica Júlia La Pastina, diretora-geral da Rede Dedicar de Apoio às Pessoas com Diabetes, reforçou os benefícios do uso dos sensores no controle da doença, especialmente entre crianças e adolescentes, e assinalou os impactos no dia a dia das famílias: “É muito difícil uma pessoa com diabetes tipo 1 que durma sozinha no quarto. Muito raro”. Ela também chamou atenção para a sobrecarga enfrentada por pais e responsáveis desde o diagnóstico: “Inicia-se uma batalha diária, 24 horas por dia, para conseguir um equilíbrio perfeito dos níveis de açúcar no sangue. Por isso, a gente precisa de todos os artifícios tecnológicos e de tudo que estiver disponível para tentar trazer um pouco de dignidade, qualidade de vida e segurança para as pessoas que vivem com a diabetes tipo 1”.

A diretora-geral da Secretaria Municipal de Saúde, Inajá Gonçalves de Araújo, teceu considerações sobre os desafios para a incorporação da tecnologia no sistema público e a necessidade de articulação entre cidades, estados e o governo federal. “A gente tem uma grande dificuldade, porque esse dispositivo não está incorporado no SUS”, afirmou. Segundo ela, os municípios não têm condições de arcar sozinhos com a reivindicação: “Nós não temos condições financeiras de arcar, sozinhos, com todas as demandas de saúde pública. A gente precisa que os três entes federativos estejam juntos”. A gestora ressaltou que o município busca alternativas para avançar no tema: “Nós vamos fazer um projeto piloto, assistencial, temporário e avaliativo. Será uma pesquisa científica, com um público específico, junto à universidade da nossa região, para demonstrar ao Ministério da Saúde que os municípios não estão parados”.

Parlamentares defendem ampliação do acesso a monitores

Durante a audiência, parlamentares também se manifestaram em defesa da ampliação do acesso aos sensores de glicose. “Tendo em vista o sofrimento de tantas pessoas, a gente com certeza estará sempre à disposição para o que puder ajudar”, disse o presidente da Câmara, vereador Jean Dalmolin (Republicanos). Ele citou exemplos de iniciativas já implementadas em Criciúma, Itajaí, Florianópolis e outras cidades catarinenses: “Estão adquirindo esses aparelhos em forma de consórcio”.

Joubert endossou a pauta pelo fornecimento dos monitores pelo SUS. “Hoje, milhares de pessoas em nossa região medem a glicemia com métodos antigos, quando o sensor já prova reduzir internações e dar mais autonomia. Políticas públicas precisam virar prática, incorporar esse dispositivo ao SUS, treinar equipes, criar fluxo rápido de prescrição e reposição. Não é gasto, é investimento em qualidade de vida, trabalho, métodos e menos emergência”. Outro ponto abordado por Lungen foi a emenda parlamentar de R$ 400 mil a ser destinada a Brusque para aquisição de sensores. A articulação pelo recurso, contou, envolveu o deputado estadual Lucas Neves (Republicanos) e o valor foi viabilizado pelo deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC). “Estamos pensando em vidas, seres humanos”, comemorou o vereador.

“Tudo o que se gasta na saúde é investimento: em qualidade de vida, em bem-estar, e não só para o paciente, mas para toda a sua família. Muitas vezes, vemos o dinheiro público sendo gasto em coisas banais e o que é necessário para a população é deixado de lado, pelo governo federal, pelo governo estadual, pelos municípios”, criticou Pirola. “Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para transformar isso num direito do cidadão. Brusque tem R$ 1 bilhão de orçamento. É impossível que não consigamos buscar R$ 1 milhão para resolver esse problema”.

Antonio Roberto corroborou o posicionamento dos colegas. “Nós, vereadores, estamos aqui para servir. Pode ter certeza que durante o nosso mandato estaremos aqui para lutar por essa causa. Estamos vestindo essa camisa e eu tenho certeza absoluta que o nosso Município vai fazer parte dessa caminhada da vitória”, exclamou. “Contem com essa Casa para o que der e vier. Unidos, somos mais fortes”.

O deputado Lucas Neves pontuou as desigualdades no acesso à tecnologia e seus impactos no cotidiano das famílias. “Duas realidades, numa mesma sala de aula, completamente distintas”, comparou, ao relatar o caso de duas crianças com diabetes tipo 1, sendo que apenas uma tinha acesso ao dispositivo. O parlamentar mencionou estudos que indicam benefícios econômicos com a utilização dos sensores: “Todos os levantamentos e estudos comprovam que, a médio e longo prazo, a gente pode ter inclusive economia de recursos públicos com a adoção dessa nova tecnologia”.

Autor da lei que permite à Prefeitura de Blumenau disponibilizar sensores de glicose à população, o vereador daquele município, Flávio José Linhares (PL), ponderou sobre os desafios orçamentários vivenciados pelos municípios: “As demandas da saúde são infinitas, mas os recursos são limitados”. Ainda assim, o parlamentar defendeu a busca por alternativas e a articulação com outras esferas: “A gente tem que estar unido, principalmente para buscar recursos da União, o que é justo”. Ele também enfatizou os impactos positivos dos monitores na qualidade de vida da população: “Isso vai melhorar a qualidade de vida, vai melhorar a expectativa de vida, evitando complicações futuras”.

Assista à audiência pública na íntegra: https://youtube.com/live/keCGxlfxMcU

Texto: Talita Garcia/Câmara Municipal de Brusque.

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