Faleceu em 20 de fevereiro de 2026, aos 96 anos, Edla Bartelt Marchi, personagem marcante da história social e industrial de Brusque. Velada na capela mortuária do Centro, foi sepultada na manhã de 21 de fevereiro no Cemitério Parque da Saudade, reunindo familiares, amigos e membros da comunidade que acompanharam sua longa trajetória.
Edla é co-fundadora da Lufamar, hoje uma empresa brusquense de destaque nacional no ramo de toalhas e teve sua trajetória contada no livro “Um lugar chamado Memória. A história da Lufamar, página por página”, de autoria do historiador Celso Deucher.
Filha de imigrantes germânicos, Edla nasceu em 20 de maio de 1929 e cresceu em meio à cultura luterana, ao trabalho rural e às tradições herdadas da colonização alemã do Vale do Itajaí. Sua infância foi marcada pela disciplina do campo, pelo bilinguismo doméstico e pelas mudanças impostas pela nacionalização do ensino durante a Segunda Guerra Mundial, experiências que moldaram sua visão de mundo e sua capacidade de adaptação.
Em 1945, durante uma festividade religiosa no bairro Dom Joaquim, conheceu Faustino Marchi. O casamento, celebrado em 26 de outubro de 1946, uniu não apenas duas pessoas, mas duas tradições culturais e religiosas distintas, consolidando uma parceria que se estenderia por toda a vida. O casal construiu uma família numerosa e profundamente ligada ao trabalho, criando seis filhos em um ambiente de simplicidade e perseverança.
Ao lado do marido, Edla tornou-se cofundadora da Lufamar, empresa que é na atualidade a segunda indústria têxtil mais antiga ainda em funcionamento no município. A fábrica nasceu de forma modesta, com um tear de madeira instalado no sótão da casa da família, onde trabalho doméstico e produção industrial se confundiam no cotidiano.
Desde o início, Edla desempenhou papel essencial na consolidação do negócio. Costurava, organizava a produção, controlava as contas e ainda cuidava da casa, dos filhos e da subsistência familiar. Sua habilidade com números, herdada da juventude escolar, foi decisiva para a sobrevivência da empresa nos primeiros anos, quando toda a estrutura dependia exclusivamente do esforço familiar.
A Lufamar cresceu acompanhando o desenvolvimento do polo têxtil brusquense, e a presença de Edla permaneceu constante ao longo das décadas. “Sua atuação simboliza a contribuição das mulheres na industrialização regional, frequentemente invisível nos registros formais, mas fundamental para a continuidade das empresas familiares”, ressalta o historiador Celso Deucher.
Além da dimensão empresarial, Edla destacou-se como guardiã da memória cultural. Manteve vivas tradições da imigração germânica, transmitindo aos filhos costumes religiosos, histórias familiares e valores comunitários. Sua vida atravessou quase um século de transformações sociais, econômicas e culturais no sul do Brasil.
Segundo Deucher, com sua morte, Brusque perde uma testemunha direta da passagem do mundo rural para o industrial e da formação de seu parque têxtil. Permanece, contudo, seu legado familiar, empresarial e histórico, tecido ao longo de décadas de trabalho e dedicação.
“Edla Bartelt Marchi deixa descendentes, amigos e uma história que se confunde com a própria construção econômica da cidade de Brusque. Sua memória permanece viva nos laços familiares que ajudou a formar e na empresa que ajudou a erguer, literalmente fio por fio, desde o interior de uma casa simples até a consolidação industrial, que hoje é muito bem dirigida por seus filhos e netos”, finaliza Deucher.















