Na manhã desta terça-feira, 25 de agosto, o Museu Casa de Brusque realizou uma cerimônia especial em homenagem aos 157 anos da imigração polonesa para Brusque e para o Brasil. A iniciativa foi promovida em parceria com a Fundação José Walendowsky e reuniu descendentes da comunidade polonesa, historiadores, pesquisadores e integrantes da comunidade.
A data escolhida para a homenagem possui um significado especial: 25 de agosto de 1869 é o dia do primeiro registro histórico conhecido da presença de imigrantes poloneses na região, identificado na certidão de batismo de Estevam Sienovski.
Representando o presidente da Sociedade Amigos de Brusque (SAB), mantenedora do Museu Casa de Brusque, Marcus Schlosser, a diretora geral da instituição, Luciana Pasa Tomasi, acolheu os participantes. O presidente da Fundação José Walendowsky, Luis Antonio Loyola Walendowsky, também destacou a importância da presença do público e da realização da homenagem justamente no Dia do Imigrante Polonês.
Um dos principais elementos da cerimônia foi a exposição da Cruz do Cemitério dos Polacos, peça rara que integra o acervo do Museu Casa de Brusque e constitui um importante testemunho material da presença dos primeiros imigrantes poloneses no Vale do Itajaí-Mirim. A peça foi abençoada pelo Pe. Sérgio Luís Pedrotti.
Durante a solenidade, a pesquisadora e reitora da Unifebe, Rosemari Glatz, apresentou um breve retrospecto da trajetória da imigração polonesa no município, ressaltando a participação dos imigrantes e de seus descendentes na construção social, econômica e cultural de Brusque desde 1869 até os dias atuais.
O historiador Celso Deucher, responsável pela condução da homenagem, destacou a importância do chamado Cemitério dos Polacos, local onde a cruz foi encontrada. Embora atualmente a área esteja localizada no município de Botuverá, em 1869 aquele território pertencia à antiga Colônia Imperial Príncipe Dom Pedro, que posteriormente seria unificada com a Colônia Itajaí, dando origem ao município de Brusque.
Segundo Deucher, o cemitério representa um dos mais antigos testemunhos materiais da presença polonesa na região e ajuda a compreender que a história da imigração não pode ser limitada às atuais fronteiras municipais. A trajetória dos pioneiros está diretamente ligada à formação do território que posteriormente constituiria Brusque e outros municípios do Vale do Itajaí-Mirim.
Os nomes dos pioneiros
O momento mais simbólico da cerimônia foi a leitura em voz alta dos nomes dos pioneiros, em uma forma de preservar a memória daqueles que chegaram à região há 157 anos. Foram lembrados os seguintes nomes de chefes de família e seus respectivos núcleos, bem como os três solteiros(as) que faziam parte desta leva de imigrantes:
Francisco Pollock — Franciszek Polak/Pollak – 7 pessoas
Nicolau Wos — Mikołaj Woś – 3 pessoas
Boaventura Pollak — Bonawentura Polak – 6 pessoas
Thomas Szynowsky — Thomaz Synowsky / Sieniovski – 4 pessoas
Simão Purkott — Szymon Purkot – 4 pessoas
Felippe Kokot — Filip Kokot – 3 pessoas
Miguel Prudlo — Michał Prudło – 4 pessoas
Simão Otto — Szymon Otto – 5 pessoas
Domin Stempka — Dominik Stempka – 3 pessoas
Casper Gbur — Kacper Gbur – 5 pessoas
Balcer Gbur — Balcer Gbur – 9 pessoas
Walentim Weber — Walenty Weber – 6 pessoas
Antonio Kania — Antoni Kania – 2 pessoas
Francisco Kania — Franciszek Kania – 5 pessoas
Andreas Pampuch — Andrzej Pampuch – 7 pessoas
Francisco Motzko — Franciszek Motzko — 2 pessoas
Stefan Kachel — solteiro
Josepho Purkott — solteiro
Julianna Woss — solteira
A leitura dos nomes, conduzida pelo radialista Nilton Proença, transformou a cerimônia em um momento de reconhecimento individual dos primeiros imigrantes. Mais do que números ou estatísticas, cada nome representa uma trajetória familiar e uma parte da história da formação de Brusque. Para Rosemari Glatz, ao pronunciarmos em voz alta os nomes dos primeiros imigrantes e de suas famílias, retiramos essas pessoas do silêncio dos documentos e as devolvemos à memória coletiva. “Cada nome representa uma vida, uma travessia, uma esperança e uma parcela da história que nos formou”, salientou ela.
“Ao recordar os pioneiros, o Museu Casa de Brusque reafirma também a importância da preservação dos documentos, objetos e lugares relacionados à imigração. A Cruz do Cemitério dos Polacos, agora preservada no acervo do museu, assume nesse contexto um significado especial: é um elo material entre o presente e aqueles primeiros homens, mulheres e crianças que chegaram à região em 1869”, disse após a cerimônia a historiadora Luciana Pasa Tomasi.
A homenagem aos 157 anos da imigração polonesa, portanto, não apenas celebrou uma data histórica, mas reafirmou a contribuição da comunidade polonesa para a construção de Brusque e do Vale do Itajaí-Mirim, mantendo vivos os nomes e as memórias daqueles que estiveram entre os pioneiros dessa história.
















