As fortes chuvas que atingem Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, desde a noite de segunda-feira provocaram destruição e mortes na cidade. Segundo a prefeitura, 14 pessoas morreram em sete deslizamentos registrados em bairros distintos.
Os deslizamentos com vítimas fatais ocorreram nos bairros JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa. Ao longo do dia, a Defesa Civil contabilizou 251 ocorrências relacionadas às chuvas.
Destruição e bairros ilhados
No bairro Paineiras, na região central, a queda de um barranco soterrou parte de um prédio e duas casas. Em vários pontos da cidade, foram registrados desabamentos e deslizamentos de terra.
De acordo com a prefeita Margarida Salomão (PT), diversos bairros ficaram ilhados. O rio Paraibuna saiu da calha e córregos transbordaram, agravando ainda mais a situação.
“Quem tentou andar pela cidade hoje sabe que os bairros estão ilhados. O rio Paraibuna saiu da calha, que também é uma coisa histórica. Os córregos estão todos absolutamente transbordando. Então, é uma situação de calamidade”, afirmou a prefeita em comunicado divulgado nas redes sociais na madrugada desta terça-feira.
Fevereiro mais chuvoso da história
O mês de fevereiro já acumula 584 milímetros de chuva, tornando-se o mais chuvoso da história de Juiz de Fora. O recorde anterior era de fevereiro de 1988, quando o volume chegou a 456 milímetros.
Segundo a prefeitura, o total registrado até agora corresponde a 270% do esperado para o mês, cuja média histórica é de 170,3 milímetros. O excesso de chuva contribuiu para o transbordamento de rios e para o aumento do risco de deslizamentos.
Calamidade pública decretada
Diante do cenário, a gestão municipal decretou estado de Calamidade Pública por 180 dias. A medida foi instituída ainda durante a madrugada.
Com o decreto, o município poderá receber recursos federais e estaduais, além de apoio humano e material. Os servidores municipais foram autorizados a trabalhar de forma remota nesta terça-feira, e as aulas nas escolas municipais foram suspensas.
“Isso permite que nós recebamos recursos federais, estaduais, humanos e materiais para nos alcançar nessa grave situação. O estado de Calamidade também permite a participação de voluntários, para que a gente possa superar essa dificuldade muito grande que as pessoas estão vivendo. É uma situação extrema que exige medidas extremas”, declarou Margarida.
Acolhimento e reforço nas buscas
Três escolas municipais estão funcionando como ponto de acolhimento para desabrigados: Escola Municipal Paulo Rogério dos Santos, Escola Municipal Murilo Mendes e Escola Municipal Camilo Ayupe.
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais informou que as equipes atuam em ocorrências de alagamentos, soterramentos, imóveis com risco estrutural e retirada preventiva de moradores em áreas vulneráveis. O reforço inclui militares especializados, cães de busca e equipamentos específicos para atuação em desastres.
















