Três homens de Santa Catarina foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no financiamento de um ônibus que levou manifestantes do estado a Brasília antes dos atos de 8 de janeiro de 2023. A pena definida para os três foi a mesma: 14 anos de prisão, em regime inicial fechado.
A decisão atingiu Rene Afonso Mahnke e Alcides Hahn, de Corupá, no Norte catarinense, e Vilamir Valmor Romanoski, de Brusque. O julgamento ocorreu na Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e foi concluído em sessão virtual encerrada em 27 de fevereiro de 2026. Segundo os relatos publicados, nenhum dos três estava em Brasília no dia das invasões.
Ônibus saiu de Blumenau
De acordo com a investigação, o ônibus partiu de Blumenau em 5 de janeiro de 2023, três dias antes da depredação das sedes dos Três Poderes. O veículo transportava 41 pessoas. Segundo o entendimento da Corte, ao menos um dos passageiros participou diretamente das invasões em Brasília.
O ponto central do processo foi o financiamento da viagem. Para o STF, os repasses ajudaram a viabilizar o deslocamento do grupo até a capital federal em um contexto de mobilização antidemocrática que já estava em curso.
Valores foram diferentes
As informações do processo indicam que Alcides Hahn contribuiu com R$ 500 para a vaquinha do transporte. Rene Afonso Mahnke fez um Pix de R$ 1 mil para a empresa responsável pelo ônibus. Já Vilamir Valmor Romanoski, segundo a investigação, teve participação mais ampla: teria transferido mais de R$ 10 mil e também atuado na arrecadação de valores de terceiros.
Mesmo com diferenças nos valores e no grau de participação apontado no processo, os três receberam a mesma condenação. A pena total ficou em 12 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção, além de multa. Eles foram enquadrados por crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Multa coletiva e recursos
Além da prisão, os condenados também foram incluídos na obrigação solidária de pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. Esse valor, conforme as publicações, será dividido entre os condenados relacionados ao 8 de janeiro e destinado ao fundo previsto na Lei de Ação Civil Pública.
As defesas contestam a decisão. No caso de Vilamir Romanoski, o advogado informou que pretende recorrer e criticou a fundamentação da condenação. A defesa de Alcides Hahn também apresentou recurso, com questionamentos sobre omissões, contradições e sobre a proporcionalidade da pena. Segundo as reportagens, Alcides e Vilamir seguem em liberdade enquanto aguardam o andamento dos recursos.
Caso reacende debate sobre responsabilidade
A condenação chama atenção por atingir pessoas que, segundo o próprio processo, não participaram fisicamente das invasões em Brasília. O peso da responsabilização recaiu sobre o apoio financeiro e logístico dado ao deslocamento dos manifestantes.
O caso também amplia o debate sobre a dosimetria das penas aplicadas aos investigados do 8 de janeiro, especialmente quando há diferença no nível de envolvimento atribuído a cada réu. Esse tende a ser um dos pontos centrais da fase recursal. A cobertura do STF mostra que a Corte segue avançando na responsabilização criminal de envolvidos nos atos antidemocráticos.
















