O mês de conscientização sobre o câncer de colo do útero, conhecido como Março Lilás, chama a atenção para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento da doença, que ainda está entre as que mais atingem mulheres no Brasil. Em Brusque, a Rede Pública de Saúde conta com uma estrutura organizada para acolher e acompanhar as pacientes, desde a Unidade Básica de Saúde (UBS) até a Clínica da Mulher.
De acordo com o ginecologista e obstetra da Clínica da Mulher, Dr. Eduardo S. Haubert, o câncer de colo do útero tem origem em lesões causadas pelo vírus HPV (papilomavírus humano), bastante comum na população. “É um câncer que surge a partir de lesões no colo do útero, popularmente chamadas de ‘feridas’, causadas pelo HPV. Essas lesões podem levar anos para se transformar em câncer e, no início, geralmente não apresentam sintomas”, explica.
O médico destaca que, quando aparecem, os sinais podem incluir sangramento vaginal fora do período menstrual ou após relações sexuais, além de dor pélvica, mas muitas mulheres podem não apresentar nenhum sintoma. Por isso, o acompanhamento preventivo é essencial.
A principal forma de transmissão do HPV é por meio de relações sexuais. Embora o uso de preservativo ajude a reduzir o risco, ele não garante proteção total. “A camisinha diminui o risco, mas não impede completamente a transmissão, já que o vírus também pode estar presente em áreas não cobertas”, pontua o médico.
A prevenção ocorre principalmente por meio de duas estratégias: a vacinação contra o HPV e a realização do exame preventivo, o Papanicolau. A vacina está disponível gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos, podendo ser aplicada também em adolescentes de até 19 anos. Já o exame deve ser feito regularmente por mulheres entre 25 e 64 anos que já tenham iniciado a vida sexual.
“Mesmo quem tomou a vacina precisa fazer o exame preventivo, porque a vacina reduz o risco, mas não elimina completamente a possibilidade de desenvolver a doença”, reforça Dr. Haubert.
Em Brusque, o acesso ao exame é facilitado. A porta de entrada é sempre a UBS mais próxima da residência da paciente, onde é possível agendar e realizar o Papanicolau com a equipe de enfermeiros. Caso haja alguma alteração, a paciente é encaminhada para a Clínica da Mulher, setor especializado do município que realiza o acompanhamento completo, exames complementares e, se necessário, o tratamento.
Outro ponto importante destacado pelo médico é que nem toda alteração significa câncer. “Lesões de alto grau ainda não são câncer e, na maioria dos casos, são tratadas com um procedimento simples, sem necessidade de quimioterapia ou radioterapia”, esclarece.
Apesar disso, quando diagnosticado, o câncer de colo do útero tem chances consideráveis de cura, especialmente quando identificado precocemente. “Muitas mulheres conseguem a cura com o tratamento adequado, que pode envolver cirurgia e radioterapia”, finaliza.















