Após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) divulgou nota afirmando que acompanha com atenção o desenrolar da crise política no país vizinho.
A ação militar, realizada na madrugada de sábado (3), resultou na captura de Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, conforme confirmado pelo governo norte-americano. De acordo com o presidente dos EUA, Donald Trump, a medida teve como objetivo desarticular o que classificou como um “narcoestado” e encerrar o ciclo de poder do regime venezuelano, que perdurava há mais de uma década.
Comércio com a Venezuela é reduzido
Em sua análise, a Fiesc considera prematuro estimar impactos diretos na indústria catarinense, uma vez que o comércio bilateral com a Venezuela representa parcela reduzida das transações internacionais do estado.
Dados da própria federação apontam que, em 2025, as exportações de Santa Catarina para a Venezuela corresponderam a apenas 0,24% do total, enquanto as importações ficaram em 0,12%. O principal produto exportado foi uma categoria de máquinas agrícolas, com vendas que somaram US$ 15 milhões no período.
Do lado das importações, destacam-se fertilizantes e adubos — que representaram 3% das compras catarinenses nesse segmento — totalizando US$ 126 milhões. O alumínio bruto também teve destaque, com US$ 93 milhões em compras, tornando a Venezuela o terceiro maior fornecedor desse item para o estado.
Migração entra no radar da indústria
A Fiesc, no entanto, expressa preocupação com os possíveis reflexos da crise na dinâmica migratória. Dados da Operação Acolhida mostram que Santa Catarina recebeu 27,2 mil venezuelanos entre abril de 2018 e janeiro de 2024, colocando o estado entre os principais destinos do fluxo migratório no Brasil.
“Hoje, a indústria catarinense conta com a força de trabalho de venezuelanos para preencher vagas e atender à demanda crescente por mão de obra”, destacou o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme.
Segundo ele, o desfecho da crise pode influenciar esse cenário, caso o país de origem volte a se tornar atrativo para parte dessa população. Isso poderia alterar a disponibilidade de mão de obra em setores estratégicos da indústria local.
Relações internacionais em pauta
Seleme também afirmou que a Fiesc acompanha com atenção o posicionamento do governo brasileiro diante do novo cenário geopolítico. A expectativa, segundo ele, é de que as tratativas do Brasil com os Estados Unidos, especialmente no que diz respeito ao chamado “Tarifaço”, não sejam afetadas pela conjuntura e continuem pautadas por critérios técnicos.
















