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Fundema intensifica monitoramento da qualidade da água em Brusque

Coletas no Rio Itajaí-Mirim e ribeirões apontam bons indicadores gerais, mas revelam preocupação com esgotamento sanitário

Fonte: Divulgação/prefeitura de Brusque

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A Fundação Municipal do Meio Ambiente de Brusque (Fundema) realizou, no dia 8 de outubro do ano passado, uma campanha de coleta para avaliação da qualidade da água do Rio Itajaí-Mirim e de seus principais córregos e ribeirões no município.

A ação integra o programa permanente de monitoramento ambiental, que busca acompanhar variações ao longo do tempo e subsidiar o planejamento de medidas de proteção. Ao todo, foram coletadas amostras em 16 pontos distintos, abrangendo diferentes regiões da cidade.

Entre os diversos parâmetros analisados para monitorar a qualidade das águas, as análises investigaram também a presença de 21 tipos de agroquímicos, e nenhum deles foi detectado. Além disso, a maior parte das análises químicas apresentou resultados favoráveis. Também não foram identificados metais pesados ou indicadores de poluição industrial.

Apesar do cenário geral considerado positivo, o relatório aponta ressalvas importantes. Em alguns pontos do Rio Itajaí-Mirim e de córregos monitorados, os níveis de oxigenação ficaram abaixo do permitido pela legislação ambiental, o que pode impactar a vida aquática e a qualidade do ecossistema.

Poluição por esgotamento sanitário preocupa

As análises relacionadas à ausência de esgotamento sanitário apresentaram os dados mais preocupantes. Parâmetros como coliformes termotolerantes, Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), que mede a carga orgânica da água e nitrogênio amoniacal registraram resultados acima dos limites legais em alguns pontos.

Os casos mais críticos foram identificados em dois córregos, no Ribeirão Azambuja, ao lado do Sesi Escola, com 130 mil coliformes termotolerantes por 100 mL, quando a legislação estabelece limite em torno de 1.000 por 100 mL e no Ribeirão Nova Brasília, na Rua Santos Dumont, que apresentou 1,7 milhão de coliformes termotolerantes por 100 mL.

As análises detectaram presença de coliformes em todos os rios e ribeirões avaliados, indicando contaminação fecal, geralmente associada ao descarte irregular de esgoto sanitário e à ausência ou inadequação de sistemas de tratamento, como fossas sépticas e filtros anaeróbios.

Monitoramento será contínuo e sazonal

O Superintendente da Fundema, Leonardo Floriani Pereira, destacou que o município está estruturando um modelo contínuo de acompanhamento da qualidade da água, com previsão de três a quatro campanhas por ano, realizadas de forma sazonal.

Segundo ele, o monitoramento permite uma leitura mais precisa da realidade ambiental do município. “Esse acompanhamento periódico é fundamental para entendermos o comportamento dos nossos rios ao longo do ano. A ideia é realizar de três a quatro coletas anuais, de forma sazonal, para termos um diagnóstico cada vez mais técnico e assertivo”, ressalta. “Os resultados mostram que não identificamos agroquímicos nem metais pesados, mas reforçam a necessidade de avançarmos no esgotamento sanitário, especialmente nos pontos mais críticos”, completou.

A Prefeitura de Brusque busca implementar a rede de captação e tratamento de esgoto sanitário por meio de concessão. No entanto, a implantação da rede coletora e das estações de tratamento é um processo gradual e levará alguns anos para Brusque alcançar a universalização do saneamento.

Enquanto o sistema público não é ampliado, a Fundema reforça que a população pode contribuir diretamente com a melhoria da qualidade da água por meio da instalação correta de fossa séptica com filtro anaeróbio e da manutenção periódica desses sistemas, evitando o lançamento irregular de esgoto nos cursos d’água.

O monitoramento contínuo deve orientar futuras ações ambientais e fortalecer as políticas públicas voltadas à preservação dos recursos hídricos de Brusque.

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