Nesta quarta-feira, 10 de junho, Guabiruba celebra mais um aniversário de emancipação político-administrativa. A data marca a instalação oficial do município, ocorrida em 10 de junho de 1962, consolidando uma história construída a partir da força do trabalho dos imigrantes e do crescimento econômico da região.
A trajetória de Guabiruba está diretamente ligada à de Brusque. A partir de 1860, sob a direção do barão Maximilian von Schneeburg, fundador da nova Colônia Itajaí, chegaram os primeiros imigrantes alemães à região. Posteriormente, italianos, poloneses e austríacos também contribuíram para a formação da comunidade.
Nos primeiros anos, os colonizadores dedicaram-se principalmente à agricultura e à extração de madeira, construindo seus próprios ranchos e trazendo consigo conhecimentos profissionais adquiridos em seus países de origem. O espírito empreendedor dessas famílias foi decisivo para o desenvolvimento econômico e social da cidade.
Com o passar das décadas, o município expandiu sua atividade industrial. A partir dos anos 1970, o crescimento das fábricas de malhas, confecções, tinturarias e metalúrgicas impulsionou a modernização local e atraiu novas famílias, fortalecendo ainda mais a economia.
Atualmente, Guabiruba possui aproximadamente 25 mil habitantes distribuídos em uma área de 195 quilômetros quadrados, localizada no Vale do Itajaí-Mirim. O município faz divisa com Gaspar e Blumenau ao norte, Botuverá ao sul e oeste e Brusque a leste.
Emancipação ocorreu em 1962
O processo de criação do município teve início com a aprovação da Resolução nº 238, de 28 de abril de 1962, pela Câmara Municipal de Brusque, com voto de desempate do então presidente João Batista Martins. O texto foi encaminhado à Assembleia Legislativa pelo deputado estadual Raul Schaefer e posteriormente transformado na Lei nº 821, de 7 de maio de 1962.
Pouco mais de um mês depois, em 10 de junho daquele ano, ocorreu a instalação oficial do município, quando Henrique Dirschnabel assumiu como primeiro prefeito de Guabiruba.
Cidade mantém parceria internacional com município alemão
Desde 2010, Guabiruba é oficialmente cidade coirmã de Karlsdorf-Neuthard, na Alemanha. A parceria foi formalizada por meio da Lei Municipal nº 1.217/2010 e busca fortalecer os laços históricos entre as duas comunidades, já que grande parte dos imigrantes que colonizaram Guabiruba era oriunda da região de Baden, onde está localizada a cidade alemã.
A cooperação promove intercâmbios culturais, educacionais, sociais, turísticos, esportivos, ambientais e econômicos. Anualmente, estudantes participam de programas de intercâmbio entre os dois municípios, além do desenvolvimento de projetos conjuntos envolvendo governos, empresas e universidades.
Entre as iniciativas está o programa Parcerias Municipais para o Clima, realizado com apoio de instituições alemãs, e ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), voltadas à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
Ao completar mais um ano de emancipação, Guabiruba reafirma sua identidade construída pela imigração europeia, pelo desenvolvimento industrial e pela preservação de suas tradições, mantendo viva a história que deu origem ao município e projetando novas oportunidades para as futuras gerações.
Desenvolvimento
Reconhecida como um dos importantes polos industriais do Vale Europeu, a cidade possui um setor têxtil consolidado e abriga grandes indústrias e empreendimentos que impulsionam a economia local e garantem o sustento de milhares de famílias. Além das confecções e malharias, a metalurgia também figura entre as principais atividades econômicas do município.
Com uma população de 24.543 habitantes, segundo dados do IBGE de 2022, Guabiruba preserva características que fazem parte de sua identidade, como o espírito acolhedor de seus moradores e a valorização das tradições herdadas principalmente dos colonizadores alemães e italianos.
O município é formado pelos bairros Centro, Imigrantes, Guabiruba Sul, Planície Alta, Lageado Baixo, Lageado Alto, São Pedro, Pomerânia e Aymoré, além de localidades tradicionais como Holstein, Alsácia, Lorena, Sternthal e Grüenerwinkel.
Localizada no Vale Europeu e Médio Vale do Itajaí, na microrregião de Blumenau, Guabiruba está a 116 quilômetros de Florianópolis e faz parte de uma região estratégica, próxima de municípios como Brusque, Gaspar, Blumenau, Botuverá, Itajaí, Navegantes, Balneário Camboriú e Itapema.
Com área territorial de 172,173 quilômetros quadrados e altitude média de 21 metros acima do nível do mar, a cidade possui clima mesotérmico úmido, com verões quentes e temperatura média anual de aproximadamente 20°C.
Ao longo do ano, diversas festas tradicionais reforçam a cultura local e movimentam a comunidade, entre elas a Festa da Integração, a Festa dos Motoristas, a Festa de Santo Antônio, a Festa de Maio, a Noite Natalina, a Festa de São Vendelino, no Lageado Baixo, a Festa da Capela São Pedro, a Festa da Capela Nossa Senhora Aparecida, a Festa de São José e a Festa do Sagrado Coração de Jesus.
Fundada oficialmente em 10 de junho de 1962, Guabiruba chega a mais um aniversário consolidando-se como um município que alia crescimento econômico, preservação das raízes culturais e qualidade de vida para seus moradores.
Pelznickel em Guabiruba
Entre as diversas manifestações culturais que marcam a história de Guabiruba, uma das mais emblemáticas é a tradição do Pelznickel, personagem que, todos os anos, transforma o período natalino em um espetáculo repleto de mistério, história e identidade cultural.
Nos dias 6 e 24 de dezembro, é comum que moradores e visitantes presenciem o surgimento de figuras misteriosas vindas das matas. Cobertos por folhas, trapos escuros, máscaras assustadoras e chifres, os Pelznickel’s percorrem as ruas arrastando correntes e carregando chicotes ou varas, despertando curiosidade e emoção por onde passam.
A tradição foi trazida pelos imigrantes germânicos que colonizaram a região e tem origem em antigas histórias populares da Alemanha. Segundo essas narrativas, o Pelznickel era considerado um companheiro ou, em algumas versões, um contraponto a São Nicolau.
Enquanto São Nicolau recompensava as crianças bem-comportadas com doces e bênçãos, cabia ao Pelznickel visitar aquelas que não haviam tido bom comportamento durante o ano. Sua missão era assustar, repreender e incentivar uma reflexão sobre as atitudes das crianças, funcionando como uma figura disciplinadora dentro da tradição natalina.
Com o passar das gerações, o personagem ultrapassou o aspecto folclórico e tornou-se um dos principais símbolos culturais de Guabiruba. A tradição é preservada por moradores e grupos culturais que se dedicam à confecção das fantasias, máscaras e acessórios, além da organização de desfiles e encenações que atraem público de diversas regiões.
Mais do que uma representação típica do Natal, o Pelznickel é hoje uma herança cultural viva que preserva a memória dos imigrantes responsáveis pela formação do município e reforça a identidade de Guabiruba, unindo história, tradição e participação comunitária em uma celebração considerada única no Brasil.
















