Depois de passar 21 anos vivendo no Hospital Jaraguá, em Jaraguá do Sul (SC), Thalita Valter de Carvalho, de 21 anos, finalmente conheceu o próprio lar. A jovem, diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal (AME) ainda bebê, chegou em casa na sexta-feira, 30 de outubro. Nesta segunda-feira, 2, o empresário Luciano Hang, dono da Havan, esteve no local para visitá-la e acompanhar de perto a realização de um sonho que mobilizou uma grande corrente de solidariedade.
Luciano já havia conhecido a história da família em fevereiro de 2025, quando se sensibilizou com a trajetória de Edvaldo Jorge de Carvalho, colaborador da Havan há cinco anos, e da esposa, Jeane. Na ocasião, o empresário doou R$ 50 mil e ajudou a divulgar a campanha para arrecadar recursos destinados à adaptação da residência. O objetivo era oferecer à filha um ambiente seguro, confortável e preparado para receber todos os equipamentos necessários à sua sobrevivência.
Durante 21 anos, a rotina da família foi dentro do hospital. Todos os dias, os pais se deslocavam até lá para ficar com a filha. Aniversários, Natal, Páscoa e outras datas especiais eram comemorados naquele ambiente. Nunca tiveram a oportunidade de passar uma data comemorativa em família, em casa. Thalita, inclusive, nunca havia conhecido a própria residência.
A mudança só aconteceu depois de um longo período de planejamento e preparação. Com a ajuda de muitas pessoas e empresas, a casa passou por adaptações para receber a jovem com todo o cuidado necessário. Durante a visita, Luciano se emocionou ao conhecer o espaço e agradeceu a todos que contribuíram para transformar a realidade da família. Também parabenizou Jeane e Edvaldo pela perseverança, pela dedicação à filha e por nunca deixarem de acreditar que esse dia chegaria.
“É uma emoção muito grande ver a Thalita aqui, na casa dela, junto com os pais. Precisamos ajudar essas crianças com AME. A cada criança que encontro com essa doença, procuro fazer a minha parte. A história dessa família mostra o quanto o amor, a dedicação e a união das pessoas podem transformar vidas. Quero agradecer a todos que participaram dessa corrente de solidariedade”, afirmou Luciano.
Uma das empresas que se mobilizaram foi a Solturi, responsável pela instalação de um sistema de energia solar na residência. Durante a visita, a empresa também entregou um sistema antiapagão, com autonomia de, no mínimo, oito horas, para garantir mais segurança caso ocorra uma interrupção no fornecimento de energia elétrica.
“Foi algo a mais que sentimos necessidade de oferecer. Sabemos da importância da energia para os equipamentos que mantêm a Thalita bem. É uma parceria que deu certo e que vai proporcionar ainda mais tranquilidade para essa família”, destacou a equipe da Solturi.
A visita também contou com a presença do jornalista William Fritzke, que ajudou a divulgar a campanha, além de integrantes da comitiva do Indavírus, que participaram da mobilização em prol da família.
Para Jeane, acordar e saber que não precisa mais se deslocar até o hospital é uma sensação difícil de descrever. A primeira noite em casa já trouxe uma tranquilidade que a família esperou por mais de duas décadas.
“Não temos como explicar a nossa alegria. Finalmente estamos em casa com ela. É uma tranquilidade, uma paz que não tem preço. Fomos muito bem assistidos durante esses 21 anos, mas nunca tivemos um Natal em casa com a Thalita. Este será o primeiro em família. A primeira noite foi tão tranquila, silenciosa, sem aquele barulho constante do hospital. Até ela dormiu melhor. Já percebemos melhoras, a pele está mais bonita. É uma felicidade que não cabe em palavras”, contou a mãe.
O pai também vive a chegada da filha em casa como um presente especial. No dia 10 de novembro, Edvaldo completa mais um ano de vida e já sabe qual será o maior motivo de comemoração.
“Esse será o meu presente de aniversário. Ter minha filha em casa é tudo o que eu poderia querer”, disse.
A decisão de levar Thalita para casa foi tomada com muita responsabilidade. A família só deu esse passo depois de ter certeza de que tudo estaria preparado para garantir o conforto e a segurança da jovem.
“Eu não teria tirado ela do hospital se não estivesse tudo certo e confortável. Foi uma decisão muito bem pensada, planejada para acontecer com todo o cuidado e carinho. Uma pessoa com AME viver 21 anos já superou muito as expectativas. Mas nós também não nos sentiríamos confortáveis se ela partisse sem ter conhecido a própria casa”, explicou Jeane.
Thalita foi a quinta criança diagnosticada com AME no Brasil. Ao longo de toda a vida, enfrentou desafios que exigiram dedicação integral dos pais. Mesmo diante das dificuldades, a família nunca deixou de acreditar na possibilidade de proporcionar novas experiências à filha.
“Ela ama viver, é uma guerreira. Então, a gente se dedica por ela, porque ela merece”, concluiu a mãe.
Agora, a família começa a escrever um novo capítulo. Pela primeira vez, poderá construir lembranças em casa, celebrar as datas especiais reunida e viver momentos que, durante 21 anos, pareciam tão distantes.
















