Uma semana após ser gravemente ferida em um atropelamento na Rua Gustavo Schlosser, no Centro de Brusque, morreu a pedestre atingida por um veículo no dia 14 de setembro.
Lídia Herrera Hernandez, de 63 anos, havia sofrido traumatismo cranioencefálico, permaneceu internada desde o acidente, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu nesta terça-feira (22).
Dias antes da confirmação da morte, na noite de segunda-feira (21), moradores da região haviam se reunido em um momento de oração pela recuperação da vítima.
A mobilização também trouxe novamente à tona uma preocupação que, segundo quem vive na região, é antiga: a velocidade dos veículos e a recorrência de acidentes no trecho.
Preocupação se concentra após uma curva
Segundo os moradores, um dos pontos considerados mais críticos fica nas proximidades do Residencial Atlantis, logo após uma curva da Rua Gustavo Schlosser.
A reclamação é de que alguns veículos chegam ao trecho em velocidade elevada e que a configuração da via diminui o tempo de reação de quem precisa atravessar a rua ou acessar imóveis da região.
Além da velocidade, os moradores apontam a falta de uma faixa de pedestres nas proximidades do residencial como outra dificuldade para quem circula pelo local.
“Logo depois da curva, em frente ao prédio, os veículos vêm em alta velocidade e aqui acaba sendo um ponto cego. Fica muito em cima”, explica uma moradora que preferiu não ser identificada.
Imóvel já foi atingido mais de uma vez
O atropelamento registrado em setembro não é o único episódio citado por quem vive na Rua Gustavo Schlosser.
Marli Carminati e o marido, Nilton Carminati, moram em um imóvel que já foi atingido mais de uma vez em acidentes de trânsito.
Marli lembra de uma das ocorrências mais graves registradas no ano passado e afirma que situações envolvendo carros e motocicletas continuam preocupando quem mora no trecho.
“Ano passado bateram muito forte ali. E não é só isso, acontece direto. Se não é em um lugar, é no outro, é moto, carro, tudo. Está precisando fazer alguma coisa urgente”, relata.
Outros moradores também encaminharam à Rádio Araguaia registros fotográficos de acidentes ocorridos na região. (veja abaixo)
Um dos casos mais recentes aconteceu no dia 23 de maio, quando uma caminhonete perdeu o controle após a curva e atingiu um poste nas proximidades do Residencial Atlantis. Segundo os moradores, o acidente provocou danos materiais e deixou o prédio sem energia elétrica por quase 24 horas.
Para quem convive diariamente com o trânsito da rua, o atropelamento aumentou ainda mais a preocupação com a segurança no local.
“A gente só quer que façam alguma coisa por nós aqui nessa rua”, afirma uma moradora do Residencial Atlantis.
Pedido por mudanças é anterior ao atropelamento
A mobilização por alterações no trânsito da Rua Gustavo Schlosser começou antes do acidente envolvendo a pedestre.
Segundo moradores, no início de 2025 foi elaborado um abaixo-assinado solicitando melhorias no trecho. Entre os pedidos estavam a implantação de algum dispositivo para redução de velocidade e uma faixa de pedestres nas proximidades do residencial.
Nilton Carminati afirma que a reivindicação foi levada a vereadores. “Foi feito um abaixo-assinado pelo pessoal da rua e levado para o vereador Joubert Renato Lungen. Além dele, o vice-prefeito também já está ciente da situação”, relata. Na avaliação do morador, a ausência de uma solução até o momento representa “um descaso total”.
Em 22 de maio deste ano, o vereador Jean Carlo Dalmolin apresentou o Requerimento nº 142/2026, solicitando ao Executivo a instalação de um redutor de velocidade e de uma defensa metálica na Rua Gustavo Schlosser, próximo à Atlas Auto Peças.
No documento, o parlamentar justificou o pedido pela quantidade de acidentes ocorridos na localidade e pela preocupação dos moradores com a segurança viária. A proposta apontava que o redutor contribuiria para controlar a velocidade, enquanto a defensa metálica proporcionaria maior proteção a pedestres e motoristas.
Setram aponta velocidade e imprudência
Procurada pela Rádio Araguaia FM, a Secretaria de Trânsito e Mobilidade informou que o trecho já passou por análises, visitas de campo e reuniões técnicas.
“O problema central na via é de natureza comportamental por parte dos condutores, entre eles velocidade e imprudência”, afirmou o secretário, Thomas Haag.
Segundo a Setram, diferentes alternativas foram estudadas pela equipe técnica, incluindo o estreitamento da pista com tachões e a instalação de lombadas físicas tradicionais.
A lombada convencional, porém, foi considerada inviável devido à proximidade com a curva e o semáforo, além de a Rua Gustavo Schlosser ser utilizada como rota de ônibus.
Município prepara lombada eletrônica
Diante das avaliações realizadas no local, a Setram definiu a lombada eletrônica como a alternativa considerada mais adequada para o trecho.
“A alternativa mais adequada definida pelo município é a implantação de uma lombada eletrônica, cuja instalação já se encontra em fase de instrução para licitação”, informou Haag.
Paralelamente, a secretaria pretende apresentar à comunidade local um plano de ações paliativas nos próximos dias.
Enquanto a implantação da lombada eletrônica ainda passa pelos procedimentos administrativos, a morte da pedestre aumenta o peso de uma cobrança que, segundo os moradores, já vinha sendo feita havia anos na Rua Gustavo Schlosser.
Veja fotos e vídeos dos acidentes:



















