A mpox voltou ao centro das atenções após novos registros no Brasil. Em 2024, o país contabilizou 2.022 casos. Em 2025, foram 1.047 notificações. Já em 2026, o Painel Mpox do Ministério da Saúde registra 47 casos oficiais.
Após o Carnaval, período marcado por grandes aglomerações, surge a dúvida: há risco de uma nova epidemia? Para virologistas, o cenário exige atenção, mas não aponta para uma crise sanitária.
Há risco de pandemia?
Especialistas explicam que a mpox não apresenta, neste momento, características de uma doença com potencial pandêmico.
Diferentemente da covid-19, a transmissão não ocorre de forma aérea ampla. O contágio exige contato próximo e direto, geralmente pele a pele, o que altera a dinâmica de disseminação.
Ainda assim, eventos com grande interação social podem favorecer aumentos pontuais de casos e gerar picos regionais.
O que é a mpox
A mpox é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. Trata-se de uma doença zoonótica, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos.
Atualmente, porém, a principal forma de transmissão ocorre entre pessoas.
Segundo o Ministério da Saúde, o contágio acontece por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais como pus e sangue, além de secreções respiratórias em situações de contato próximo e prolongado. Objetos contaminados, como roupas e toalhas, também podem transmitir o vírus.
Sintomas e evolução
Os sintomas costumam surgir entre três e 16 dias após o contato com o vírus, podendo chegar a 21 dias.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Erupções ou lesões na pele
- Febre
- Ínguas (linfonodos inchados)
- Dor de cabeça
- Dores no corpo
- Calafrios
- Fraqueza
As lesões evoluem de manchas para bolhas com líquido e, depois, formam crostas que caem conforme a pele cicatriza.
A transmissão pode ocorrer desde o início dos sintomas até a cicatrização completa das lesões. O diagnóstico é feito por exame laboratorial, a partir da secreção ou crostas das feridas.
Tratamento e gravidade
Não há medicamento específico amplamente disponível para tratar a doença. O tratamento é sintomático, focado principalmente no controle das lesões e no alívio do desconforto.
Na maioria dos casos, a mpox evolui de forma leve a moderada, com duração entre duas e quatro semanas.
Situação no Brasil
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil contabiliza 47 casos em 2026, com predominância de quadros leves e moderados, sem registro de mortes.
Os casos estão concentrados em:
- São Paulo: 41
- Rio de Janeiro: 3
- Distrito Federal: 1
- Rondônia: 1
- Santa Catarina: 1
O primeiro caso do ano em Porto Alegre levou a pasta a reforçar que o Sistema Único de Saúde está preparado para o diagnóstico precoce e acompanhamento dos pacientes.
Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde confirmou a detecção de uma nova cepa do vírus na Índia e no Reino Unido.
Segundo o painel epidemiológico, o número de casos neste início de ano é pelo menos cinco vezes menor que no mesmo período de 2025, quando o país já somava 260 notificações entre janeiro e fevereiro.
Orientações de prevenção
A recomendação é que pessoas com sintomas como erupções cutâneas, febre e aumento dos linfonodos procurem uma unidade de saúde e informem eventual contato com casos suspeitos ou confirmados.
O Ministério da Saúde orienta ainda o isolamento até avaliação médica e a adoção de medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos, para reduzir o risco de transmissão.
















