PRONUNCIAMENTO
“O 13 de maio não define a luta da população negra”, diz Marlina
Ela contestou o protagonismo da princesa Isabel na abolição da escravatura e defendeu a urgência de ações educativas antirracismo
por Assessoria de Imprensa Câmara de Brusque 14/05/2021 às 14:26
Divulgação

A vereadora Marlina Oliveira Schiessl (PT) ocupou a tribuna da Câmara nesta terça-feira, 11 de maio, para discorrer sobre a “desconstrução” da promulgação da Lei Áurea, que completou 133 anos na quinta-feira, 13. “Esse é um dia que traz bastantes reflexões à comunidade negra, às pessoas negras e ao movimento negro organizado”, afirmou a parlamentar. 

“Pensar essa questão em Brusque parece distante, mas alguém aqui diria que é contra uma sociedade mais justa e igualitária?” - indagou Marlina. “Condições de educação, de emprego, de renda, de ter moradia, lazer, igualdade de maneira justa”, acrescentou.

“Se não somos contra um projeto de justiça como esse, precisamos pensar e refletir vez ou outra - seja por algo que sai na mídia ou pela fala de uma vereadora negra - sobre a importância de desconstruir essa data que reflete a invisibilização do protagonismo negro em prol da libertação da escravidão. Essa luta ficou toda circundada à princesa Isabel e a uma elite política e economia, como se esse evento tivesse sido um favor prestado à população negra, quando na verdade ele é fruto da resistência de todo um povo que durante quase quatro séculos foi assaltado de seu lugar, de sua história e de seu continente de origem, que é o continente africano, e que numa condição de escravidão construiu esse país, gerou riqueza, produziu”, prosseguiu a vereadora. 

Racismo

“Dialogar sobre o 13 de maio é sair da zona do romantismo para a zona da denúncia, escancarar o racismo”, disse Marlina. Para ela, admitir a existência do racismo é primordial para o avanço do diálogo em torno dessa problemática: “Eu sei que para algumas pessoas reconhecer a existência do racismo é muito difícil e, como educadora, consigo compreender a importância dos processos de educação para que uma pessoa consiga compreender qual é de fato o sentido e o significado do racismo na vida de alguém”.

A vereadora também abordou as motivações da luta antirracista: “Historicamente, no Brasil, a população negra, que é maioria no país, foi sendo tolhida, impedida de acessar direitos básicos como educação, saúde, trabalho”. E defendeu ações educativas em torno do assunto: “As crianças, as brancas e as negras, precisam conhecer desde a escola o quanto o racismo é nefasto a uma população inteira, o quanto exclui, o quanto mata”, salientou. “Ao falar de racismo estamos falando da ausência daquilo que deveria ser aprendido, que é o respeito. Expressões racistas às vezes são intencionais, outras vezes não, pois o racismo é impregnado na sociedade e muitas vezes as pessoas não se dão conta”. 

Ao finalizar, a legisladora anunciou a intenção de promover ações que visem ao debate, à disseminação de informação e à conscientização sobre o tema. “O 13 de maio não nos define e nem define a luta da população negra. Por isso, insistimos que o nosso dia de luta é o 20 de novembro [Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra]. O 13 de maio é para lembrar uma história de opressão e para fazer as devidas denúncias”.

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