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Em coletiva à imprensa, diretoria do Brusque expõe balanço e situação financeira do clube
Conforme o presidente do clube, Danilo Rezini, somente no primeiro semestre o déficit do Brusque pode chegar a R$ 1 milhão. Sem o futebol, os custos do clube chegam a R$ 90 mil/mês. Entre algumas das causas deste cenário estão dívidas antigas que ainda hoje atormentam o clube
por Assessoria de Imprensa Brusque FC / Sidney Silva 08/02/2019 às 09:10 Atualizado em 15/02/2019 às 14:57

Em meio ao crescimento do clube, calendário fixo e consolidação da marca Brusque FC como uma das grandes forças do futebol catarinense, a diretoria do Brusque abriu a caixa do clube e mostrou a dura realidade por trás dos bastidores nesta quinta-feira (7).

Em coletiva de imprensa que contou com a presença de todos os diretores do clube, o presidente Danilo Rezini apresentou o balanço do Brusque nos últimos anos ao lado do diretor financeiro Rogério Lana e o cenário não é nada animador.

Se em campo os resultados dos últimos anos têm sido satisfatórios, com o título da Copa SC, boas campanhas no Catarinense, e participações sucessivas em campeonatos nacionais, como a Série D do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, fora dele a realidade do clube é bem diferente.

A diretoria comentou o esforço que vem sendo feito já desde outras temporadas para manter o time em ascensão, mas as dificuldades esbarram na necessidade de aumento de receitas para que o time possa sanar com os compromissos. “Atualmente, o Brusque chega a gastar o dobro do que arrecada”, diz o presidente. ”A receita é de cerca de R$ 170 mil mês, mas se gasta R$ 350”, comenta Rezini. “Na realidade, tivemos um crescimento excepcional dentro de campo, mas o financeiro e administrativo não alcançam mais esse crescimento, ao mesmo tempo em que se aumenta a exigência da nossa torcida, patrocinadores e imprensa pela marca forte que o Brusque se tornou. Precisamos urgente a profissionalização de diversos setores e novas fontes de receitas”, diz o presidente.

Ele ressalta que caso o Brusque montasse um time com a realidade da situação financeira atual, muito provavelmente não teria se consolidado como a sexta força do futebol catarinense e amargaria fracassos. “Se eu montar uma equipe de R$ 80 a R$ 100 mil a chance de irmos a Chapecó e tomar 4 ou 5 é grande, de perdermos para Figueirense, o que geraria uma frustração na torcida e patrocinadores, e hoje isso só não acontece pela ousadia que temos de montar um time que pode brigar com qualquer um em Santa Catarina. Basta olhar quantas goleadas sofremos nos últimos anos, sempre brigamos de igual”, ressalta o presidente.

Déficit de R$ 1 milhão no 1º semestre

Conforme Rezini, somente no primeiro semestre o déficit do Brusque pode chegar a R$ 1 milhão. Sem o futebol, os custos do clube chegam a R$ 90 mil/mês. Entre algumas das causas deste cenário estão dividas antigas, que ainda hoje atormentam o clube. 

Segundo o departamento jurídico do Brusque, somente de acordos trabalhistas o Bruscão chega a gastar de R$ 30 a R$ 40 mil mês. Como não tem estádio próprio, a equipe chega a gastar cerca de R$ 15 mil somente para abrir o estádio Augusto Bauer em dias de jogos considerando aluguel e demais taxas de operação. Conforme Lana, qualquer jogo com menos de 1.500 pessoas o Brusque tem prejuízo.

Ele ressalta que no ano passado o cenário já era crítico para fechar as contas. A venda do atleta Jorginho aliviou um pouco as contas para o clube poder participar da Série D do Campeonato Brasileiro. Para este ano, nos últimos dias o presidente Danilo Rezini ganhou mais uma preocupação. A receita pela participação na primeira fase da Copa do Brasil, algo em torno de R$ 450 mil, está retida em virtude de uma dívida trabalhista de 2012. O departamento jurídico do clube trabalha incansavelmente para reverter a decisão.

Projeção futura

Neste cenário de dificuldades, a diretoria do Brusque tem quebrado a cabeça para que os atletas não tenham seu desempenho afetado dentro de campo. Apesar da situação preocupante, o presidente Danilo Rezini revela que o salário dos jogadores sempre são pagos rigorosamente em dia, fruto também do esforço dos dirigentes, que chegam a colocar dinheiro do próprio bolso para equalizar a situação econômica, o que precisa mudar, comenta Rezini. “O Brusque já não pode mais ser administrado desta forma, precisamos de uma profissionalização completa do clube, e de pessoas que venham também colocar seu nome à disposição do Brusque. Se quisermos crescer e pensar em voos mais altos, não temos mais como postergar isso”.

O caminho, segundo o presidente, é união de todos em prol do Brusque FC. Entre o fim de fevereiro e início de março, a diretoria pretende reunir todos os patrocinadores para apresentar a situação. Paralelo a isso, o pedido é de que o torcedor compareça ao estádio nos jogos em casa e abrace as iniciativas que estão sendo propostas pelo clube, principalmente pelo setor de marketing que vem trabalhando fortemente em parceria com a comunicação para gerar novas receitas ao Bruscão, conforme explica o gerente de marketing, Sandro Ortiz. “Estamos trabalhando para que o clube não seja totalmente dependente do patrocinador. Queremos criar e desenvolver alternativas de receita. Sabemos que o torcedor do Brusque é participativo, se faz presente, mas falta muito serviços por parte do clube. Temos que oferecer produtos, redes de descontos, e estamos trabalhando para estreitar esse relacionamento. Em contrapartida, pedimos para que ele abrace as ideias para ajudar o clube”, explica.

Nos últimos dias, o Bruscão já chegou a lançar o “Passe Livre”, uma espécie de embrião para o Sócio-Torcedor. “Trata-se de um programa que garante ingressos para a temporada. Estamos disponibilizamos o cadastro via redes sociais do clube e nesta sexta-feira queremos validar. Quem tiver interesse em saber mais pode comparecer a partir das 14h na secretaria do clube, na Arena Brusque, e no sábado, dia do jogo contra a Chapecoense, estaremos das 8 às 17h no estádio Augusto Bauer”, ressalta, Ortiz.

Assuntos: Esporte
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