Corrida contra o coronavírus
Em tempos de Covid-19 atividade física é recomendação recorrente da OMS
Mas manter a rotina de treinos foi, por ora, uma verdadeira missão aos praticantes da corrida
por Ideia Comunicação 10/06/2021 às 16:35 Atualizado em 10/06/2021 às 16:42
Foto: Divulgação

Os benefícios da prática de atividade física recorrente, sempre foram enaltecidos por profissionais da saúde e educadores físicos. Porém, a pandemia da Covid-19 e o lockdown praticado em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil, levou milhares de pessoas a paralisarem suas atividades abruptamente. O momento era de apreensão diante de um vírus totalmente desconhecido. Em Brusque não foi diferente, com o fechamento de diversos estabelecimentos e a paralisação das atividades de qualquer natureza. Quando as portas das indústrias e do comércio começaram a abrir novamente, ainda assim a atividade física permaneceu em segundo plano na vida de muitas pessoas. “Desde quando começou a pandemia e foram proibidas todas as atividades físicas, quer em ambientes fechados, quer em ambientes abertos, procuramos formas de estimular as pessoas que fazem parte do nosso grupo a não ficarem paradas. Isso porque sempre tivemos o entendimento de que a atividade física nunca vai prejudicar em nada, ao contrário, ela vai colaborar, principalmente uma atividade feita ao ar livre, como a corrida”, comenta o educador físico do Centro de Performance e Saúde Grupo do Bay, Felipe Guilherme Ristow.

Mas manter a rotina de treinos foi, por ora, uma verdadeira missão aos praticantes da corrida de rua, segundo Ristow, já que a própria sociedade julgava quando via alguém na rua realizando sua atividade física, mesmo quando a cidade já voltava à normalidade. “Procuramos manter o grupo ativo no ano passado para cuidar da saúde e principalmente do lado psicológico das pessoas, muito afetado com a pandemia. De uma hora para outra começamos a ver pessoas perdendo a vida por esta doença, no mundo inteiro, isso mexeu muito com a gente. Tivemos pessoas que perderam amigos, familiares... E a corrida, além de trazer os benefícios físicos, acabou se tornando uma válvula de escape para muitos”, explica. 

Há seis meses, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma cartilha contendo as novas diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário, o que está diretamente ligado ao que Ristow e o também treinador Jose Armando Vasquez Soto (Bay) passam diariamente aos alunos. “Ser fisicamente ativo é fundamental para a saúde e o bem-estar, pode ajudar a adicionar anos à vida e vida a anos”, disse o Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante o lançamento. “Cada movimento conta, especialmente agora que gerenciamos as restrições da pandemia Covid-19. Devemos todos nos mover todos os dias, com segurança e criatividade”, complementou.

As estatísticas da OMS mostram que um em cada quatro adultos e quatro em cada cinco adolescentes não praticam atividade física suficiente. Globalmente, estima-se que isso custe US$ 54 bilhões em assistência médica direta e outros US$ 14 bilhões em perda de produtividade. 

Organismo fortalecido

Jeferson Gottardi, 33 anos, é adepto da corrida de rua. Com treinos constantes durante a semana, ele sente diariamente os benefícios que a atividade física lhe proporciona. Em agosto do ano passado ele acabou sendo acometido pela Covid-19. Fez o isolamento recomendado, como também o uso dos medicamentos necessários para o tratamento e após 14 dias, conseguiu retomar suas atividades. Apesar de ter sentido um cansaço mais acentuado em alguns períodos do isolamento, em razão da doença, ele acredita que a atividade física o fez passar pela Covid sem maiores complicações. “Sempre procurei praticar alguma atividade física ao menos duas vezes na semana, e depois de trocar algumas modalidades em função de problemas na coluna, me ‘achei’ na corrida. Na época em que tive Covid, já corria geralmente três vezes por semana. Certamente a corrida me ajudou a passar pela doença, não só pelos benefícios que a atividade física traz para o organismo, mas também por alguns aspectos psicológicos que em treinos mais longos acabam sendo trabalhados. São detalhes que acabamos tirando do esporte e levando para o cotidiano”, conta.

Divânia Hang da Silva, 34 anos, também é praticante de corrida e no início de fevereiro, entre idas e vindas do hospital para os cuidados com o pai, que estava internado por outros problemas de saúde, acabou percebendo sintomas de Covid. “Fiquei de cinco a seis dias sentindo um pouco de fraqueza, perda do paladar e olfato também. Recebi todas as orientações dos profissionais de saúde e como meu marido acabou positivando para a doença alguns dias depois, eu acabei ficando uns 20 dias sem correr. Quando retomei a atividade, não tive nenhum problema. Então acredito muito que a prática de esporte, aliada à alimentação, que já estava regrada, me ajudou a me restabelecer”, revela.

O casal Rosane Darosci Schürhaus, 37 anos e Jonas Schürhaus, 38 anos, descobriu que estava com Covid em fevereiro deste ano e o sintoma mais evidente foi e perda do paladar e do olfato. “Tenho certeza que os treinos semanais de corrida que realizamos no grupo, orientados pelos educadores físicos, nos ajudaram a ter nosso organismo mais fortalecido e também nossa respiração. Passamos pela Covid sem maiores problemas”, comenta Rosane.

De acordo com o treinador Felipe Ristow, a atividade física ao ar livre, como a corrida, deixa o corpo mais forte, aumenta a imunidade e trabalha com o psicológico do praticante. “Aqui no Grupo nem eu nem o treinador Bay tivemos Covid. Procuramos manter o distanciamento social, utilizamos máscara, álcool gel, enfim, seguimos as recomendações e protocolos de saúde e orientamos os alunos a fazerem seus treinos com segurança. Percebemos que alguns participantes do Grupo contraíram a doença, mas tiveram sintomas amenos. Acredito que isso se deve um pouco por causa da saúde física, por se manterem ativos e pela saúde mental também, um fator importante ao receber o diagnóstico de uma doença”, avalia.

O médico intensivista e chefe da UTI do Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux – Hospital Azambuja, Dr. Eugênio José Paiva Maciel, tem atuado, desde que foi anunciada a pandemia da Covid-19, na linha de frente, atendendo diversas pessoas acometidas pela doença. Ele acredita que a prática da atividade física regular, pode ser uma aliada no sentido de defesa do corpo contra o vírus. “Hoje um dos maiores problemas é que nossa população está ficando obesa, com o consumo de muitos produtos industrializados, estimulados por uma cultura de dieta ocidental muito errada. E aqui não quero levantar nenhuma questão estética, mas sim relacionada à saúde. Obesidade é um estado inflamatório do corpo e associado à Covid, é um agravante. A pessoa que pratica uma boa atividade física apresenta uma capacidade pulmonar de ventilação, que chamamos de capacidade aeróbica, ou seja, a capacidade que você tem para o pulmão trabalhar bem fisiologicamente”, revela.

Ainda segundo Dr. Eugênio, a prática de atividades como a corrida ou a própria caminhada, por exemplo, melhoram o humor, reduzem os índices de glicose e pressão arterial e trazem sensação de bem-estar. “A Covid vai pegar muitas pessoas, é preciso estar preparado para esta doença. Cada um pode gerenciar a sua saúde, adotar a atividade física como uma prática regular e cuidar da alimentação”, enfatiza.

Atividade física como rotina

As novas diretrizes da OMS recomendam pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa por semana para todos os adultos, incluindo pessoas que vivem com doenças crônicas ou deficiências, e uma média de 60 minutos por dia para crianças e adolescentes. Os idosos (com 65 anos ou mais) são aconselhados a adicionar atividades que enfatizem o equilíbrio e a coordenação, bem como o fortalecimento muscular, para ajudar a prevenir quedas e melhorar a saúde. As diretrizes também incentivam as mulheres a manter a atividade física regular durante a gravidez e após o parto. 

Conforme dados estatísticos obtidos pela OMS e divulgados nos estudos que originaram as novas diretrizes, a atividade física regular é fundamental para prevenir e ajudar a controlar doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e câncer, bem como reduzir os sintomas de depressão e ansiedade, reduzir o declínio cognitivo, melhorar a memória e impulsionar a saúde do cérebro.

Recomendações OMS

1 - A atividade física é boa para o coração, o corpo e a mente.

A atividade física regular pode prevenir e ajudar a controlar doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e câncer, que causam quase três quartos das mortes em todo o mundo. A atividade física também pode reduzir os sintomas de depressão e ansiedade e melhorar o pensamento, a aprendizagem e o bem-estar geral.

2 - Qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma, e quanto mais, melhor. Para saúde e bem-estar, a OMS recomenda pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana (ou atividade física vigorosa equivalente) para todos os adultos, e uma média de 60 minutos de atividade física aeróbica moderada por dia para crianças e adolescentes.

3 - Toda atividade física conta.

A atividade física pode ser realizada como parte do trabalho, esporte e lazer ou transporte (caminhando, patinando e pedalando), bem como tarefas diárias e domésticas.

4 - O fortalecimento muscular beneficia a todos.

Idosos (com 65 anos ou mais) devem adicionar atividades físicas que enfatizem o equilíbrio e a coordenação, bem como o fortalecimento muscular, para ajudar a prevenir quedas e melhorar a saúde.

5 - Muito comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde.

Pode aumentar o risco de doenças cardíacas, câncer e diabetes tipo 2. Limitar o tempo sedentário e ser fisicamente ativo é bom para a saúde.

6 - Todos podem se beneficiar com o aumento da atividade física e a redução do comportamento sedentário                 Incluindo mulheres grávidas, no pós-parto e pessoas que vivem com doenças crônicas ou deficiências.

Fonte: DIRETRIZES DA OMS PARA ATIVIDADE FÍSICA E COMPORTAMENTO SEDENTÁRIO

Assuntos: Saúde
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