Erro histórico
Erro histórico

A Lei Federal 13.617/2018, sancionada pelo presidente Michel Temer ontem e publicada no Diário Oficial...

por Paulo Vendelino Kons 12/01/2018 às 00:00 Atualizado em 23/11/2018 às 16:01

A Lei Federal 13.617/2018, sancionada pelo presidente Michel Temer ontem e publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (12/1), atribui, equivocadamente, ao município de Santa Teresa, no Espírito Santo, o título de "Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil", que de fato pertence a Colônia Nova Itália, município de São João Batista/SC.

Em 1836 foi fundada, por 132 imigrantes católicos do Reino da Sardenha (precursor do Reino de Itália), a primeira colônia de italianos no Brasil, a Colônia Nova Itália, localizada no vale do Rio “Tijucas Grande”, no hoje município de São João Batista, em Santa Catarina. Os pioneiros imigrantes italianos, que viriam colonizar e desenvolver terras brasileiras, aportaram em março de 1836 à baía norte da Ilha de Santa Catarina, no porto do Desterro (hoje Florianópolis), transportados pelo navio Correio. 

E o início da colonização italiana no Espírito Santo ocorreu 37 anos e 11 meses após, em 21 de fevereiro de 1874, quando o navio La Sofia chegou a porto de Vitória, com 388 camponeses trentinos e vênetos. A iniciativa da lei que concedeu o “título” à cidade capixaba foi do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT-ES).

A iniciativa de criação e instalação da Colônia Nova Itália foi do médico e violinista Henrique Ambauer Schutel, natural de Milão (também detentor de cidadania suiça), agente consular do rei de Sardenha, e do armador Carlo Demaria, cidadão inglês (por ter nascido em Gibraltar, possessão inglesa) com raízes em Gênova, que em 1835 constituem a empresa Demaria e Schutel, sociedade particular de colonização.

O primeiro Diretor da Colônia Nova Itália foi o suiço Luc Montandon Boiteux, que se estabeleceu na Colônia Nova Itália acompanhado da esposa, de um filho menor, e de quatro escravos.

PIONEIROS

Após as medições, foi constado que o território da Colônia Nova Itália contava com 9.434 braças de frente, sendo 7.034 braças na margem norte distribuídas a 23 famílias e 2.400 braças na margem sul, distribuídas por sete famílias (três famílias já haviam se fixado na cidade do Desterro),  sendo 29 homens de mais de 20 anos, 27 mulheres entre 18 e 45, 66 jovens de ambos os sexos de 1 a 17 anos e três crianças já nascidas na Colônia:

Assim, a listagem inicial fora esta:

ANDRÉ PESCO: casado, família com 7 pessoas;

ANDRÉ RIOLFO, solteiro;

ANTONIO ALERTO: casado, família com 8 pessoas;

ANTONIO CAVIGLIA: casado, família com 4 pessoas;

ANTONIO MONTADO: casado, família com 3 pessoas;

BARTOLOMEU SARDA: casado, família com 4 pessoas;

BERNARDO GAMBELLI: casado, família com 3 pessoas;

BLAUSORO BUSANO;

DAVI RAMASCY: solteiro

DOMENICO MATTIA;

FILIPPO GIORDINO: casado, família com 5 pessoas;

FILIPPO POLERES: casado, família com 3 pessoas;

GIACOMO PESCO: casado, família com 6 pessoas;

GIACOMO PISLORI: casado, família com 8 pessoas;

GIACOMO RIBAN;

GIOVANNI BENOTTI;

GIOVANNI GROSSO, casado, família com 3 pessoas;

GIOVANNI PESCO, casado, família com 6 pessoas;

GIOVANNI RILLA;

GIOVANNI BUSANO: casado, família com 4 pessoas;

GIUSEPPE BUSANO: casado:

GIUSEPPE VALERINO: casado, família com 7 pessoas;

GIUSEPPE ZUNINO: casado, família com 7 pessoas;

LUIGI RATTO;

MATTIA PASTORIO, casado, com 5 pessoas na família;

MICHELE PESCO: casado, família com 8 pessoas;

SANTO MADONA: viúvo, família com 5 pessoas;

SEBASTIANO PESEO: casado, família com 4 pessoas;

STEFANO FORMENTO: casado, família com 4 pessoas;

STEFANO SUZENO: casado;

VICENTE PERES: casado, família com 6 pessoas.

O primeiro  grupo era assim formado pelas famílias PESCO, RIOLFO, ALERTO, CAVIGLIA, MONTADO, SARDÁ, GABELLI, BUSANO, RAMASCY, MATTIA, POLERES, PISLORI, RIBAN, BENOTTI, GROSSO, RILLA, SUSANO, VALERINO, ZUNINO, MADONA, PESEO, FOMENTO, SUZENO e PERES.

Com o passar do tempo, e em razão da regulamentação de registros pelas autoridades brasileiras, alguns nomes acabaram adaptados a língua portuguesa, passando a serem escritos como: SARDO, GAMBETA, BOZZANO, CAVILHA, PERA, PEIXER, FORMENTO, ZUNINO, entre outros.

Mais tarde chegaram outros imigrantes à colônia Nova Itália, como os integrantes das famílias: SARTORI, ANGELI, CORSANI, TRAINOTTI, PUEL, MAZOTO, MARTINI, TOMAZONI, SGROTT e outros. 

 

OS BOITEUX E A COLÔNIA NOVA ITÁLIA

Patriarca da família Boiteux no Brasil, o tenente-coronel Henrique Carlos Boiteux nasceu em 11 de fevereiro de 1838 na colônia Nova Itália, São João Batista. Era filho do primeiro administrador da colônia Nova Itália, o comerciante suíço-francês Luc (Lucas) Montandon Boiteux (Neuchâtel/Suíça, 1798 – Desterro/SC, 29 de março de 1842) e sua esposa Marie Magdaleine Anastasie. E Henrique Carlos Boiteux foi o primeiro Superintendente Municipal (Prefeito) de Nova Trento, em 1894,  e avós do Superintendente Municipal de Nova Trento (Prefeito), nos anos de 1895 a 1899, Hyppolito Eugênio Boiteux (Desterro 1861-Nova Trento 1937), do almirante Henrique Adolfo Boiteux (Tijucas 1862 – Rio de  Janeiro 1945), do desembargador e historiador José Artur Boiteux (Tijucas 1865 – Florianópolis 1934 - patrono do ensino superior em Santa Catarina, fundou a Faculdade de Direito de Santa Catarina em 11 de fevereiro de 1932, juntamente com Henrique Fontes, Othon da Gama Lobo d'Eça, Nereu Ramos, Alfredo von Trompowsky e Fúlvio Aducci; quatro vezes eleito deputado), Maria Luiza Boiteux Piazza (Tijucas 1868 – Nova Trento 1945 - avó do renomado historiador Walter Fernando Piazza), Etelvina Boiteux Linhares, Eulália Boiteux Batista Pereira e o capitão de corveta Lucas Alexandre Boiteux, (Nova Trento, 1880 – Rio de janeiro 1966 - o maior historiador naval brasileiro, que desenhou o brasão de armas do estado de Santa Catarina). 

 

FONTES HISTÓRICAS

Além de fontes fidedignas de pesquisa apresentadas por integrantes do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina - IHGSC, fundado em 07 de setembro de 1896 como instituição de caráter científico e cultural por José Artur Boiteux, como as obras: Primeira Página da Colonização Italiana em Santa Catarina, de almirante Lucas Alexandre BOITEUX (obra fundamental e a maior referência sobre a epopeia dos pioneiros da colônia Nova Itália) - Colonização Italiana em Santa Catarina, de Walter Fernando PIAZZA - Os Municípios de Tijucas e Porto Belo, de Henrique BOITEUX, vereadores de São João Batista acrescentaram elementos inéditos a história conhecida.

Na justificativa do Projeto de Lei nº. 12/2017, que “acrescenta a expressão ‘Nova Itália’ ao nome do bairro atualmente denominado Colônia”, os nobres edis batistenses Leoncio Paulo Cypriani e Almir Peixer, auxiliados pelo agricultor JOSÉ SARDO (descendente da primeira leva de italianos que chegaram em 1836 na colônia Nova Itália e presidente da Associação dos Descendentes e Amigos do Núcleo Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil – ADANPIB), do engenheiro e advogado ALOIZIO PAULO CYPRIANI, da professora MIRA SAID DA SILVA e do padre FLÁVIO FELER, trouxeram à lume relevantes e inéditos documentos, integrantes de acervos particulares ou localizados no Arquivo Público de Santa Catarina. 

O pai de José Artur Boiteux, o idealizador do IHGSC -– o patriarca da família Boiteux no Brasil, tenente-coronel Henrique Carlos Boiteux nasceu em 11 de fevereiro de 1838 na Colônia Nova Itália, no atual município de São João Batista. Filho do primeiro administrador da Colônia Nova Itália, o comerciante suíço-francês Luc (Lucas) Montandon Boiteux (Neuchâtel/Suíça, 1798 – Desterro/SC, 29 de março de 1842) e sua esposa Marie Magdaleine Anastasie.

Na organização da visita do bisneto da Princesa Isabel à Colônia Nova Itália, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança,  marcando os 180 anos da imigração italiana no Brasil, foram lançadas as sementes, nas terras férteis do Vale do Rio “Tijucas Grande”, da Associação dos Descendentes e Amigos do Núcleo Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil - ADANPIB, organização que hoje possui o Príncipe Dom Bertrand como seu patrono.

Fundada na assembleia realizada em 11 de março de 2017, no salão de festas da Comunidade São José, em Colônia, com a participação das principais autoridades de São João Batista, do bispo Dom Vitus Schlickmann, do corregedor-geral do Ministério Público, Gilberto Callado de Oliveira, e do Príncipe Dom Bertrand, a ADANPIB tem por objetivo geral o “resgate e a preservação da história, da cultura e da fé trazida pelos imigrantes italianos pioneiros no Brasil, que fundaram a Colônia Nova Itália, o pioneiro núcleo de italianos em terras brasileiras, no mês de março do ano da graça do Senhor de 1836, e a maior integração entre descendentes e amigos da comunidade”. 

 

Presidência da República

Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 13.617, DE 11 DE JANEIRO DE 2018.

  Institui no calendário oficial brasileiro o dia 26 de junho como a Data do Reconhecimento do Município de Santa Teresa, no Estado do Espírito Santo, como Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o  Institui no calendário oficial brasileiro o dia 26 de junho como a Data do Reconhecimento do Município de Santa Teresa, no Estado do Espírito Santo, como Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil.

Art. 2o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília,  11  de janeiro de 2018; 197o da Independência e 130o da República.

MICHEL TEMER

Gustavo do Vale Rocha

Este texto não substitui o publicado no DOU de 12.1.2018

Pesquisa e texto: historiador Paulo Vendelino Kons* – 47 9 9997 9581 - bicentenariodaindependencia@gmail.com  

*Residiu na Colônia Nova Itália (então Colônia), São João Batista/SC, em 1976, tendo sua família adquirido as propriedades de Henrique Massaneiro e Joana Pêra.

 

 

Assuntos: Comunidade
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