UNIDOS PELA CORRIDA
Mesmo sem apoio, e em meio a adversidades, atletas do grupo milhas e trilhas celebram união e amizade
Representantes do grupo contaram um pouco do dia a dia no esporte
por ESPORTES.COM 14/04/2019 às 07:55 Atualizado em 14/04/2019 às 10:44

Um dos grandes polos de praticantes de corrida no estado, Brusque se destaca pela quantidade de amantes do esporte, vistos diariamente em vários trechos da cidade, sobretudo na avenida Beira Rio, principal ponto de encontro dos adeptos da modalidade. Seja qual for a hora do dia, o local é o retrato do gosto do brusquense pela corrida.

Sejam em grupos ou sozinhos, eles desafiam a si mesmo e aos próprios limites na prática da atividade física. Mas neste cenário, são de fato os grupos de corrida que vão ganhando cada vez mais espaço, por oportunizarem a integração e união em torno da prática.

Mas, apesar da importância do esporte e seu crescimento, a falta de apoio ainda é crescente, sobretudo neste segmento. A reportagem de EsporteSC ouviu representantes do Grupo Milhas e Trilhas que contaram um pouco das dificuldades do esporte.

Benefícios

Ter mais disciplina e incentivo é o principal fato que leva uma pessoa a procurar um grupo de corrida, contam os integrantes do Milhas e Trilhas. Mas para quem quer correr além dos limites da Beira Rio as dificuldades são constantes, a principal delas é a falta de patrocínio para participar de provas, seja dentro ou fora de Brusque. “As pessoas geralmente só vêm os resultados, quando um atleta ganha, mas não imaginam as dificuldades que existem por trás de um grupo antes da realização da prova”, conta Alfredo Kohler, um dos fundadores do Milhas e Trilhas.

Ele diz que as dificuldades já começam no momento em que os atletas têm que se organizar para a prova. Em corridas fora de Brusque, principalmente, os desafios são maiores em virtude da logística. “Todos tem que se unir, levar barraca. Como não há patrocínio, cada um custeia sua inscrição. No dia anterior a corrida, ainda é necessário que membros do grupo vão antecipadamente até o local da corrida para fazer a retirada dos kits. Ainda há todo um processo de conferência destes kits, com números de atleta, chips e todo um empenho para que dê certo”, diz ele.

No dia da corrida, os atletas muitas vezes ainda madrugam para poder chegar cedo antes das provas. “É preciso chegar antecipadamente para levar barraca. As vezes você monta no dia anterior, mas nem sempre é recomendado”, afirma ele, ao lamentar um incidente em uma das últimas provas, quando a barraca do grupo amanheceu pichada antes da corrida Portonave, em Navegantes. “Então, é algo desagradável que as vezes o grupo se depara também”, conta, ao lembrar do episódio. “Foi uma prova que ainda tivemos que enfrentar um dilúvio e grandes dificuldades em razão do tempo”, lembra. Mas nada que desanime os integrantes do grupo. “Na verdade, essas adversidades só motivam ainda mais o pessoal. Cada um ajuda como pode. Um leva café, outro lanche, outro água e a coisa é desse jeito. Vamos por amor, no peito e na raça. E esse é o diferencial do grupo. Querendo ou não a gente se une ainda mais por causa disso”, avalia.

Sacrifícios que valem a pena

Jaqueline Strazzer, 52 anos, também é uma das fundadoras do grupo. Ela é outra ao ressaltar as dificuldades de correr sem patrocínios e apoio, mas ressalta o envolvimento de todos do grupo, segundo ela, “movidos apenas pela vontade de correr”. “E isso que é importante, essa amizade e um dando força ao outro. É muito bacana ver a união de pessoas de várias idades com o mesmo objetivo”, conta ela.

Além das corridas, o grupo também participa de atividades nas praias e realiza trilhas. Segundo Alcir Hassmann, outro dos fundadores do Milhas e Trilhas, junto também com Otávio Strazzer e Rafaela Ludvig, além das corridas, são realizadas várias atividades com o objetivo de unir o grupo e minimizar custos. “Cada um contribui de uma forma para unir cada vez mais. Também realizamos muitas confraternizações para melhorar o relacionamento entre os integrantes do grupo, sempre procurando pessoas novas para se juntar com a gente e viver essa paixão pela corrida”, comenta.

Uma das integrantes mais recentes do Milhas e Trilhas é a analista contábil Franciani Tomasi, 32 anos. “Eu já corria sozinha e foi algo que me fez muito bem começar a correr com o grupo. Antes eu não tinha essa motivação. Já o grupo te dá uma disciplina, você passar a ter um horário dedicado a isso, um acaba chamando o outro e isso acaba motivando. A gente evolui junto”, conta.

Quem também celebra a entrada no grupo é contadora Cristiane Barni, 40. Ela está no Milhas e Trilhas há um ano. “Entrar no grupo para mim foi muito bom. Eu já corria sozinha antes, mas sempre achava que não tinha tempo para correr, mas o grupo me ajudou a ter disciplina e buscar meus objetivos. Minha primeira prova foi a corrida da Polícia Militar, no ano passado. Esse ano fui a única do grupo a fazer a do Beto Carreiro, numa manhã linda de sol com tempo agradável dentro do parque. Então, participar de um grupo é algo que faz bem e me dá mais estímulo, que faz eu me sentir melhor a cada dia”, finaliza.

Assuntos: Esporte
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