O Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), instituído pela Secretaria Nacional de Trânsito, introduz mudanças significativas na forma como os exames práticos para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação passam a ser realizados no país. O novo modelo estabelece uma padronização nacional, reduzindo diferenças regionais e vedando exigências extras ou critérios considerados arbitrários.
Entre os principais avanços está a mudança do foco da avaliação, que deixa de priorizar manobras isoladas e passa a analisar o comportamento do candidato em situações reais de trânsito, mais próximas do cotidiano da condução. A proposta busca verificar como o futuro condutor toma decisões, percebe riscos e interage com outros usuários da via.
O manual também incorpora de forma central a gestão de riscos, direcionando a avaliação para condutas que mais contribuem para acidentes, lesões e mortes no trânsito. Com isso, o trajeto do exame passa a exigir planejamento técnico formal, incluindo obrigatoriamente situações como parada obrigatória, travessia em faixa de pedestres e atenção especial a usuários vulneráveis, como ciclistas.
Outro ponto relevante é o reforço da avaliação colegiada, que atribui exclusivamente às Comissões de Exame — formadas por servidores públicos — a decisão sobre o resultado da prova. O manual também prevê o uso de monitoramento eletrônico como ferramenta de apoio, ampliando a transparência e a rastreabilidade do processo.
Adaptação e implantação gradual
O delegado regional da Polícia Civil de Brusque, Dr. Fernando de Faveri, destacou que o novo modelo foi instituído por resolução federal recente e pelo próprio manual, ambos com foco em situações reais de trânsito. Segundo ele, o candidato passa a receber pontuação ao longo do trajeto, somando infrações que podem resultar em aprovação ou reprovação.
Dr. Fernando explicou ainda que a baliza deixa de existir como etapa autônoma e eliminatória, embora a habilidade de estacionamento permaneça sendo avaliada de forma integrada ao percurso, em contexto urbano real. “Não se trata mais de uma barreira artificial, mas de um estacionamento concreto dentro do trânsito”, afirmou.
Em Santa Catarina, o Detran de Santa Catarina segue integralmente as diretrizes nacionais, conforme circular nº 5/2026, priorizando a condução segura, a tomada de decisão e o comportamento do candidato, sempre respeitando as características das vias locais.
O delegado ressaltou ainda que, por se tratar de um modelo novo, a implantação ocorre de forma gradual e cautelosa, com estudos técnicos e adequações operacionais sendo realizados passo a passo. “Há uma mudança muito grande em curso, que exige cuidado para evitar equívocos, ao mesmo tempo em que todas as implantações federais e estaduais estão sendo cumpridas”, pontuou.
















