“A minha história começou com um diagnóstico, mas não vai terminar nele”. Ao contar como enfrenta o câncer de mama, Ana Sueli Girardi Machado se emociona. Fala da fé, da família e do atendimento que encontrou perto de casa. Em abril desse ano, ela iniciou o tratamento na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux (Hospital Azambuja), em Brusque. O tratamento perto de casa, cercada pelo carinho dos familiares e amigos, traz força à Ana Sueli e a diversas mulheres, que nos últimos meses foram atendidas na instituição.
Neste primeiro Outubro Rosa com o serviço em funcionamento, o Hospital Azambuja reúne 84 consultas e 23 cirurgias relacionadas ao câncer de mama, desde o início dos atendimentos, no mês de abril, até a primeira quinzena de outubro. Os dados também registram 23 pacientes em acompanhamento de quimioterapia para a doença.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama em mulheres por ano no triênio 2026–2028. É o tipo de câncer mais incidente entre as brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. Considerados todos os tipos da doença, a estimativa nacional é de aproximadamente 781 mil novos casos a cada ano do mesmo período.
Sintomas e tratamento
Ana Sueli conta que os primeiros sinais apareceram em dezembro de 2025. Ela já mantinha uma rotina de exames e, após perceber algumas dores e outras alterações, voltou ao médico e passou por uma nova investigação. A confirmação do câncer de mama trouxe uma notícia que não esperava receber.
“O diagnóstico não foi fácil. A gente nunca espera que vai ter essa doença, né?”, relata. Na fé, Ana Sueli encontrou uma forma de enfrentar os momentos difíceis e seguir com o tratamento.
A quimioterapia começou assim que a Unacon iniciou os atendimentos, em abril, com 12 sessões, uma por semana. Depois, vieram quatro aplicações da etapa que Ana chama de quimioterapia vermelha. Na data da entrevista, ainda faltava uma sessão, que ela já realizou.
A abertura da Unacon no Azambuja permitiu que Ana Sueli e diversas mulheres, recebessem atendimento em Brusque. Ao lembrar que poderia ter de buscar tratamento em Blumenau ou Itajaí, ela destaca o que significou contar com o serviço na cidade e o cuidado da equipe. “O tratamento aqui em Brusque, foi uma bênção”, afirma. “Toda a equipe, todos os profissionais maravilhosos”, enfatiza.
Durante o tratamento, o esposo, o casal de filhos e os irmãos estiveram ao seu lado. Ana Sueli fala da família com gratidão e também reconhece, na fé, uma fonte de força. “Deus põe esses anjos na vida da gente, onde nos dá força pra continuar”, diz.
Às mulheres que também enfrentam a doença, Ana deixa uma mensagem de confiança nos profissionais e de atenção às orientações recebidas, tanto nas sessões quanto em casa.
“O diagnóstico faz parte da minha história, mas ele não define quem eu sou. Minha história continua”, complementa Ana Sueli.
Acolhimento e estrutura
O acolhimento aos pacientes integra a proposta de atendimento da Unacon. A unidade reúne profissionais de oncologia clínica, cirurgia oncológica, enfermagem, farmácia, psicologia, nutrição e fisioterapia, entre outras áreas. O acompanhamento considera as necessidades clínicas e emocionais de cada paciente, com atenção individualizada ao longo do tratamento.
Para o diretor administrativo do Hospital Azambuja, Gilberto Bastiani, a implantação do serviço responde a uma necessidade antiga da região. “O hospital se preparou para este momento, com estrutura física, equipe multiprofissional e organização interna para receber os pacientes com segurança, qualidade e humanização”, ressalta.
Os atendimentos programados da Unacon tiveram início em 14 de abril, após a definição do fluxo de encaminhamento dos municípios. A habilitação federal ocorreu em março, quando o hospital já passou a atender urgências e emergências oncológicas. Já a primeira cirurgia para tratamento do câncer de mama foi realizada em 18 de maio.
Há algumas semanas o hospital também recebeu seis pacientes encaminhadas pelo Estado para reconstrução mamária tardia, em etapa posterior à cirurgia para tratamento do câncer de mama. Quatro são de Schroeder, uma de Massaranduba e uma de Barra Velha. Os atendimentos estão sendo realizados e as cirurgias estão em fase de agendamento.
A estrutura de apoio também inclui o Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) do Hospital Azambuja, com mamografia digital, ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e Raios X, entre outros exames. Os equipamentos e os profissionais do setor dão suporte à avaliação e ao acompanhamento das pacientes, conforme a indicação médica. O corpo clínico especializado conta ainda com o apoio do centro cirúrgico e dos serviços de internação do hospital.
De acordo com Bastiani, o acesso à Unacon pelo SUS começa na unidade de saúde do município de origem. Quando há indicação, o médico encaminha o paciente à oncologia pelo sistema de regulação da rede pública. Após o encaminhamento, a equipe do Azambuja avalia os exames e define o plano de tratamento de forma individualizada.
A Unacon do Hospital Azambuja atende pacientes adultos e pediátricos, com assistência especializada e acompanhamento individualizado. Neste Outubro Rosa, a instituição reforça a importância da atenção à saúde da mulher, da avaliação médica diante de alterações e da realização dos exames indicados pelos profissionais. O cuidado com a saúde deve fazer parte da rotina de toda a família, em todas as fases da vida e durante o ano inteiro.
















