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Pesquisa quer entender por que dialeto deixou de ser transmitido em Guabiruba

Badisch: Projeto cultural abre formulário público para mapear causas do desuso

Fonte: Imagem: Elivelton Reichert

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Em muitas casas de Guabiruba, o dialeto Badisch – ou o popular badenza – ficou como lembrança: palavras soltas na cozinha, expressões de humor, cantos, apelidos e um jeito de nomear o cotidiano que, aos poucos, foi perdendo espaço para o português. 

O projeto de pesquisa cultural acerca da preservação da língua alemã em Guabiruba (SC), do proponente Elivelton Reichert em parceria com Roseane Huber de Souza, quer investigar justamente esse ponto de virada: quando, como e por que o dialeto deixou de ser transmitido entre gerações, mesmo permanecendo reconhecido por parte da comunidade. A ideia partiu da própria experiência pessoal após a perda da avó, cuja falta levou ao desuso do dialeto em sua própria casa no dia a dia.

A investigação propõe um caminho prático em três frentes: primeiro, mapear onde e com quem o Badisch ainda circula; depois, identificar o que pesou para a continuidade ou interrupção da transmissão de uma geração para as seguintes; por fim, transformar esse diagnóstico em documentação acessível, com entrevistas, transcrições, relatório e um glossário Badisch–Português. O objetivo é que o dialeto não permaneça apenas como lembrança privada, mas possa se tornar acervo útil para a própria comunidade, para iniciativas educacionais e para políticas culturais locais no futuro.

Para ampliar a escuta e reunir percepções de diferentes idades e vivências, o projeto lança um formulário público online, aberto a qualquer pessoa que more em Guabiruba, tenha vínculo familiar com a cidade ou já tenha convivido com o Badisch, falando, entendendo “um pouco” ou apenas lembrando de situações em que ele aparecia.

Segundo o proponente Elivelton Reichert, a  chamada pública busca dar escala ao que normalmente fica restrito às histórias de família: “Nas entrevistas que realizamos, é comum a língua portuguesa se mesclar ao dialeto em uma mesma frase. A presença de duas gerações em contato com um idioma altera totalmente a ideia de pertencimento, aproximando e reiterando laços” e finaliza “ao preservar o idioma, estaremos mantendo viva uma tradição que não é possível tocar, apenas falar, ouvir e sentir.”

Este projeto é realizado com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura de Guabiruba, operacionalizado pela Prefeitura de Guabiruba, através da Fundação Cultural de Guabiruba.

SOBRE O DIALETO

O Badisch é uma variedade de origem germânica relacionada a fluxos migratórios do século XIX, conectados à região histórica de Baden (atual Baden-Württemberg, Alemanha). Em contextos de maior permanência de núcleos familiares e de redes comunitárias, o uso doméstico do dialeto se sustentou por décadas, funcionando não só como fala do dia a dia, mas como marcador de pertencimento e memória: ele carrega modos próprios de contar histórias, expressar afeto, dar bronca, brincar, rezar, cantar e reconhecer o outro “como daqui”. Em Guabiruba, é comum se referir ao dialeto com o termo “badenza”.

Quando essa transmissão falha, não se perde apenas vocabulário: enfraquece também um repertório de narrativas e referências que organizam identidades locais. Por isso, o projeto parte da ideia de que a língua é também experiência social, atravessada por prestígio e estigma, por decisões familiares, por escola e trabalho, por mudanças no território, mobilidade e mídia, e que entender a ruptura exige olhar para esses fatores combinados, não para uma causa única.

COMO PARTICIPAR

Além de responder ao formulário, quem tiver interesse em colaborar com as entrevistas (individualmente ou como núcleo familiar) pode sinalizar isso no próprio processo: ao final do questionário, o participante poderá acessar um formulário de contato para que a equipe retorne e combine os próximos passos. 

Outra possibilidade é encaminhar uma mensagem direta pelo Instagram @feitoemguabiruba, informando nome, bairro/comunidade e solicitando um horário provável para conversa. A participação no formulário é uma etapa central do projeto porque ajuda a enxergar padrões: não apenas “se ainda se fala”, mas quais contextos empurraram o Badisch para fora do dia a dia, e quais práticas ainda o mantém vivo,

Serviço

Formulário público: https://forms.gle/xeNvSrKrGEheLRiU8
Contato e acompanhamento do projeto: Instagram @feitoemguabiruba

Fonte: Assessoria de Imprensa – Prefeitura de Guabiruba

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