A diretora de Vigilância em Saúde de Brusque, Carol Maçaneiro, participou ao vivo do Jornal da Manhã nesta quinta-feira (5/2) e fez um amplo alerta à população sobre o combate à dengue, vacinação e outros desafios enfrentados pela saúde pública no município, especialmente neste período de verão e proximidade do Carnaval.
Durante a entrevista, Carol destacou que, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o período de maior risco para a dengue começa justamente agora. Segundo ela, fatores como o intenso fluxo turístico no feriado de Carnaval contribuem para o aumento da circulação do vírus. Pessoas que viajam para regiões onde a dengue é endêmica, como o Norte e o Nordeste do país, podem retornar contaminadas, assim como turistas dessas regiões que visitam Brusque podem trazer o vírus e infectar mosquitos locais, ampliando o risco de transmissão.
A diretora explicou ainda como ocorre o ciclo de transmissão da doença, que se dá pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Ao picar uma pessoa infectada, o mosquito se contamina e passa a transmitir o vírus a outras pessoas durante a alimentação necessária para a reprodução dos ovos.
Ano inicia sem casos de dengue em Brusque
Apesar do alerta, Carol informou que Brusque não registra, neste momento, casos confirmados ou suspeitos de dengue. No entanto, o cenário exige atenção. Segundo a coordenadora, o município apresenta uma grande população do mosquito, monitorada por meio das ovitrampas, armadilhas instaladas em 554 pontos da cidade. Somente neste início de ano, o trabalho resultou na retirada de 9.600 ovos do mosquito, o que representa uma importante ação preventiva, já que parte desses ovos pode nascer infectada.
A diretora reforçou que as armadilhas ajudam a identificar a presença do mosquito, mas que o combate efetivo depende da colaboração da população. Ela voltou a orientar sobre cuidados simples, como eliminar água parada, colocar areia nos pratos de plantas, manter caixas d’água bem vedadas, limpar calhas, armazenar garrafas com a boca para baixo e lavar semanalmente os recipientes de água de animais. Carol também destacou que o mosquito pode se proliferar em qualquer tipo de água parada, limpa ou suja, inclusive em pequenos recipientes e áreas sombreadas.
Baixa adesão à vacinação
Outro ponto abordado foi a vacinação contra a dengue. Carol lamentou a baixa adesão no município. Segundo ela, apenas 51% do público-alvo tomou a primeira dose e somente 21% completou o esquema vacinal com a segunda dose. Atualmente, a vacina está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, em todas as unidades de saúde com sala de vacinação. A diretora ressaltou que a vacina não impede totalmente a infecção, mas reduz significativamente a gravidade dos sintomas, que podem ser severos e até levar à morte.
Na entrevista, Carol também falou sobre outras doenças transmitidas pelo mosquito, como zika e chikungunya, que ainda não registraram casos em Brusque, mas já apresentam aumento em outras regiões de Santa Catarina, especialmente no Oeste do estado.
Combate ao borrachudo
Em relação ao borrachudo, a diretora explicou que a Vigilância em Saúde ainda não possui um programa específico em andamento para o controle do inseto, mas que o tema está em discussão com a administração municipal. Enquanto isso, a principal orientação é a limpeza das margens de rios e córregos, retirando o excesso de vegetação onde as larvas costumam se fixar.
Carol também comentou sobre o aumento de denúncias relacionadas a terrenos sujos, piscinas abandonadas e entulhos, que favorecem a proliferação do mosquito. Ela reforçou que uma vistoria semanal de poucos minutos em cada imóvel já contribui significativamente para a prevenção.
Prevenção
Por fim, a diretora anunciou ações do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) voltadas à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, com abordagens educativas em estabelecimentos noturnos neste período que antecede o Carnaval. Nesta quinta-feira (5) há previsão de visita a estabelecimentos noturnos para orientação aos frequentadores.















