O Jornal da Manhã desta quinta-feira (5/3) recebeu, ao vivo, o médico neurologista Dr. Osvaldo Quirino de Souza para falar sobre a polilaminina, uma substância experimental brasileira que tem despertado esperança em pacientes com lesões na medula espinhal.
Durante a entrevista, o especialista explicou que a polilaminina é uma versão modificada da laminina, uma proteína natural presente no organismo humano, especialmente em tecidos embrionários como a placenta. A substância está sendo estudada como uma possível alternativa para auxiliar na regeneração de nervos danificados, principalmente em casos de paraplegia e tetraplegia.
Pesquisa em andamento
Segundo o médico, a pesquisa foi desenvolvida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A proposta é que a polilaminina funcione ajudando na reconexão de fibras nervosas lesionadas na medula espinhal.
Dr. Osvaldo explicou que, quando ocorre uma lesão medular grave, como em acidentes de trânsito ou mergulhos em águas rasas, as conexões nervosas são interrompidas e formam cicatrizes que impedem a transmissão adequada dos impulsos nervosos. A polilaminina poderia atuar justamente nesse processo, facilitando a regeneração dessas estruturas.
Perguntas a serem respondidas
Apesar do potencial científico, o neurologista destacou que a substância ainda está em fase inicial de pesquisa e não possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso comercial. Atualmente, alguns casos de aplicação ocorrem por meio de decisões judiciais.
Os primeiros resultados em estudos com animais e em pequenos grupos de pacientes são considerados promissores, mas ainda insuficientes para comprovar de forma definitiva a eficácia e a segurança do tratamento. Segundo o médico, a ciência exige tempo e rigor para validar novas terapias.
Ele também ressaltou que nem todos os casos de lesão medular são iguais, o que dificulta a análise dos resultados. Em alguns pacientes, por exemplo, pode ocorrer o chamado “choque medular”, situação em que a medula sofre um trauma temporário e pode recuperar parte das funções espontaneamente após algumas semanas.
Outro ponto abordado foi a necessidade de cautela para evitar falsas expectativas. De acordo com o neurologista, a própria Sociedade Brasileira de Neurocirurgia orientou recentemente os profissionais da área a não utilizarem a substância fora de protocolos de pesquisa.
Dr. Osvaldo ainda lembrou de casos anteriores na medicina em que tratamentos inicialmente divulgados como revolucionários acabaram não se confirmando após estudos mais aprofundados, reforçando a importância de pesquisas científicas sólidas antes da liberação de qualquer nova terapia.
Quanto tempo para alcançar resultados definitivos?
Segundo o especialista, mesmo com os avanços recentes, é provável que sejam necessários anos de estudos clínicos para que se tenha uma conclusão mais segura sobre a eficácia da polilaminina e a possibilidade de seu uso em larga escala.
Durante a entrevista, o médico também esclareceu que, até o momento, a substância está sendo estudada especificamente para lesões traumáticas da medula espinhal e não possui indicação para outras doenças neurológicas ou reumatológicas.
Ao final da conversa, o neurologista reforçou que o atendimento rápido em casos de trauma na coluna continua sendo fundamental. Segundo ele, em muitas situações a cirurgia precoce, associada à reabilitação e fisioterapia, ainda é o principal caminho para buscar a recuperação de funções motoras e sensoriais, quando possível.
Apesar das incertezas, a polilaminina segue sendo considerada uma linha promissora de pesquisa brasileira na área da neurologia, com potencial de abrir novas perspectivas no tratamento de lesões medulares no futuro.















