O diretor-presidente do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Brusque (Samae), Rodrigo Cesari, participou ao vivo do Jornal da Manhã desta terça-feira, 10 de março, quando falou sobre os avanços no projeto de tratamento de esgoto no município, o abastecimento d’água e os investimentos previstos para o setor de saneamento.
Durante a entrevista, Cesari destacou que Brusque deve iniciar uma nova fase no saneamento básico após a realização do leilão de concessão do sistema de esgotamento sanitário na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo ele, a medida representa a solução de um problema histórico da cidade.
Avanço histórico
De acordo com o diretor, Brusque está há mais de 30 anos atrasada em relação ao tratamento de esgoto. Ele explicou que, ao longo das últimas décadas, diferentes gestões tentaram implantar o sistema, mas o projeto acabou não avançando por diferentes fatores.
Cesari também ressaltou que a implantação da rede de esgoto é considerada uma obra complexa e, muitas vezes, impopular, pois envolve intervenções em diversas ruas e a cobrança de uma tarifa específica. No entanto, afirmou que os benefícios para a saúde pública, para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população compensam os transtornos que poderão ocorrer durante a execução das obras.
Concessão transparente
Segundo o diretor, o processo de concessão foi realizado com transparência e passou por diferentes etapas de análise, incluindo audiências públicas, avaliações do Tribunal de Contas e acompanhamento do Ministério Público. Ele destacou ainda que o processo também enfrentou uma tentativa de suspensão na Justiça por parte de uma empresa, mas a decisão judicial permitiu sua continuidade.
A empresa vencedora do leilão foi a Aegea, considerada atualmente a maior companhia privada de saneamento do Brasil, com atuação em cerca de 800 municípios. A escolha ocorreu com base em dois critérios principais: o desconto oferecido na tarifa de esgoto e o valor de outorga pago ao município.
O valor mínimo de outorga previsto era de R$ 20 milhões, mas a empresa vencedora apresentou proposta de R$ 60 milhões. Conforme explicou Cesari, todo esse recurso será destinado ao Fundo Municipal de Saneamento para a construção da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) da Cristalina.
Ele destacou que a destinação integral desse valor para investimentos no próprio sistema de água chamou a atenção das empresas interessadas no processo de concessão.
O contrato de concessão terá duração de 35 anos. Durante esse período, a empresa será responsável pela implantação da rede de coleta e tratamento de esgoto. Após esse prazo, toda a estrutura implantada passará a pertencer ao município.
A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) já tem local definido e será construída em um terreno do município próximo à Estrada da Fazenda, nas proximidades do CTG, onde atualmente ocorre a Fenajeep. O local será cedido para a concessionária realizar a implantação da estrutura.
Como será a cobrança à população?
Cesari também explicou que a tarifa de esgoto será equivalente a 100% do valor pago pelo consumo de água. Ou seja, quem paga R$ 100 de água, por exemplo, passará a pagar o mesmo valor referente ao tratamento de esgoto. A cobrança será feita na própria fatura do Samae.
Com a implantação da rede, as residências não precisarão mais utilizar sistemas individuais de fossa e filtro, já que todo o esgoto será coletado e encaminhado para tratamento.
Abastecimento d’água
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a melhora no abastecimento de água na cidade. Cesari destacou que, nos últimos meses, houve uma redução significativa nas reclamações por falta de água, inclusive durante o verão, período em que historicamente o consumo aumenta.
Segundo ele, o resultado é fruto de ações planejadas pelo Samae, como ampliação de redes, aumento da capacidade de reservação e melhorias em sistemas de bombeamento em regiões onde o desabastecimento era recorrente, como nos bairros Rio Branco, Florence e loteamento Cadore.
Entre as melhorias, o diretor citou a ampliação da capacidade de reservação na região do Loteamento Cadore, que passou de 25 mil para 75 mil litros, além de intervenções em outras áreas do município para reduzir os impactos no fornecimento de água.
Cesari destacou ainda que os investimentos em saneamento também terão reflexos econômicos para Brusque. A estimativa é de que o projeto movimente cerca de R$ 1,5 bilhão ao longo dos 35 anos de concessão, com geração de empregos e movimentação na economia local.
















