A Câmara de Vereadores de Brusque aprovou, na sessão desta quinta-feira (19/2), um requerimento que sugere a criação de um banco municipal de sangue no município.
A proposta foi apresentada pelo vereador Jean Pirola, que destacou a importância de Brusque contar com um ponto de coleta e armazenamento para atender casos de urgência e emergência.
No documento, o vereador aponta que atualmente as casas de saúde do município dependem de reservas domésticas ou solicitam apoio a cidades como Blumenau e Itajaí em situações extremas.
O texto também lembra que Brusque atende uma região historicamente vinculada ao município e que, com a densidade populacional atual, é preciso questionar a ausência de um banco municipal de sangue, considerando que a cidade possui condições socioeconômicas para implantar um hemocentro.
A matéria já havia sido tema do Requerimento nº 12/2021, de autoria do ex-vereador Natal Carlos Lira, o que reforça o caráter recorrente da demanda.
O requerimento solicita o envio de mensagem ao prefeito municipal sugerindo o empenho da administração na criação do banco de sangue. Também pede que o documento seja encaminhado às Câmaras e aos prefeitos de Guabiruba, Botuverá, Nova Trento e São João Batista, buscando apoio institucional.
“Poderíamos salvar vidas com mais agilidade”, diz vereador
Após a sessão, Jean Pirola falou sobre a aprovação do requerimento e relatou a experiência de precisar se deslocar para doar sangue em outro município.
“Hoje nós fizemos na pele como é fazer uma doação em outra cidade. Deslocamento, acordar duas ou três horas antes, esperar no local. Muitas vezes a pessoa se sente desestimulada. Se fosse na própria cidade seria mais fácil e ágil”, afirmou.
Segundo ele, em conversa com representantes do Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina e com a Secretaria Municipal de Saúde, Brusque teria condições de contar com coleta e armazenamento de sangue.
O vereador destacou ainda que a micro-região soma cerca de 250 mil habitantes e possui três hospitais. Para ele, a agilidade no acesso ao sangue pode ser decisiva.
“Não podemos aguardar uma hora ou uma hora e meia para o sangue chegar de outra cidade e correr o risco de perder uma vida nesse tempo”, declarou.
Ele também sugeriu a possibilidade de parceria com o próprio Hemosc, citando que cidades menores já contam com ponto de coleta.
Caso de Emiliê reforça mobilização
Durante a sessão, esteve presente a pequena Emiliê Maria, diagnosticada com neutropenia congênita grave, doença genética rara que compromete o sistema imunológico e pode exigir transplante de medula óssea.
Ao lado da mãe, ela participou de homenagem à médica Dra. Laiza Fernanda Silveira Brose, que recebeu uma Comenda do Mérito Profissional.
A vereadora Bete Eccel também se manifestou sobre o tema. Ela destacou a importância da mobilização e anunciou a criação de uma vaquinha virtual para auxiliar a família de Emiliê, que precisará se deslocar para Curitiba para tratamento.
“É uma matéria apartidária. Estamos falando de salvar vidas. O município precisa buscar a forma de tornar isso realidade”, afirmou.

















