Uma pesquisa inédita sobre o dialeto Badisch revelou que a língua de origem germânica continua presente em Guabiruba, principalmente no ambiente familiar e comunitário, mas enfrenta uma redução significativa na transmissão entre as novas gerações.
O levantamento, realizado pelo pesquisador Elivelton Reichert com colaboração de Roseane Huber de Souza, reuniu entrevistas com famílias, questionários online e registros orais para documentar o Badisch como patrimônio cultural imaterial do município.
Os dados mostram que todos os participantes presenciais afirmaram que pais e avós falavam o dialeto. No entanto, apenas 34% disseram que filhos ou netos ainda utilizam a língua, indicando que o Badisch permanece mais como memória afetiva e compreensão passiva do que como idioma de uso cotidiano.
Apesar da redução, a pesquisa aponta forte interesse da comunidade na preservação do dialeto. A maioria dos entrevistados considera importante manter essa herança cultural, e 92% defendem que o Badisch ou a língua alemã sejam ensinados às novas gerações.
Como contrapartida do projeto, os resultados serão apresentados à comunidade no dia 13 de julho, às 19h, no Museu Casa Scharf, em Guabiruba. O evento será gratuito e aberto ao público.
O projeto estará publicando um relatório de pesquisa com levantamento lexical Badisch–Português–Hochdeutsch e uma base documental para acervo digital, com entrevistas, notas de campo, vocabulário e materiais de apoio coletados. A proposta é que o material inédito sirva como referência para futuras ações de pesquisa, educação, valorização cultural e salvaguarda do dialeto no município.
Este projeto é realizado com recursos do Fundo Municipal de Apoio à Cultura de Guabiruba, operacionalizado pela Prefeitura de Guabiruba, através da Fundação Cultural de Guabiruba.
O que dizem os pesquisadores
Para Elivelton Reichert, proponente e pesquisador responsável, o projeto nasceu de uma inquietação pessoal, mas se transformou em uma escuta coletiva sobre o futuro e a identidade da cidade.
“Foi a partir do da perda e do silêncio do dialeto em casa que passei a me questionar: quem fica para ensinar um idioma em casa quando nossos opas e omas se vão?” questiona o pesquisador. “Temos uma janela de 15 a 20 anos para mudar o rumo do dialeto na cidade e transformar o que conhecemos como parte da ‘identidade guabirubense’ hoje” afirma.
Roseane Huber de Souza, também pesquisadora e tradutora do projeto, ressalta a importância de tratar o Badisch com respeito à sua oralidade e às formas como foi preservado pelas famílias ao longo das gerações.
“O Badisch falado em Guabiruba é basicamente oral” afirma Roseane, e que “Por motivos de isolamento geográfico e pela transmissão do dialeto entre gerações, ele desenvolveu variações únicas de pronúncia e vocabulário que se diferenciam até mesmo entre diferentes núcleos familiares e localidades da região”. Além disso, a professora explica que “Quando não se recordava, ou não se tinha conhecimento de um específico vocábulo em dialeto, emprestava-se da língua portuguesa, criando assim um jeito de falar único.”
















