O paciente de 47 anos preso em flagrante por racismo e injúria racial após ofender um médico durante atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina, foi colocado em liberdade após audiência de custódia. A informação foi divulgada pelo g1 SC.
Conforme a decisão judicial, o homem responderá ao processo em liberdade, desde que cumpra medidas cautelares. Entre elas estão a proibição de deixar o município de Caçador por mais de oito dias, o comparecimento a todos os atos do processo e a obrigação de se apresentar à Justiça a cada 30 dias para informar suas atividades. Os motivos que levaram à concessão da liberdade provisória não foram divulgados.
O caso ocorreu na noite de sábado (1º), durante uma consulta na UPA. Segundo a Polícia Militar, o paciente fez declarações ofensivas contra o médico Alberto José Rodrigues, profissional venezuelano e judeu, afirmando que queria ser atendido por um “brasileiro, branco e cristão”.
Em entrevista à NSC TV, o médico relatou que o paciente procurou atendimento devido à pressão alta e, logo no início da consulta, questionou o uso do quipá, acessório tradicional da religião judaica. Após o profissional explicar o motivo e informar sua nacionalidade, o paciente teria passado a demonstrar insatisfação por estar sendo atendido por um estrangeiro, fazendo comentários de cunho discriminatório.
As ofensas também foram presenciadas por uma estudante de Medicina que realizava estágio na unidade. Segundo o relato, ela retirou o médico da sala enquanto o paciente continuava com as agressões verbais.
A Polícia Militar foi acionada e conduziu as partes até a delegacia. De acordo com a corporação, durante o deslocamento o paciente voltou a fazer ofensas relacionadas à religião do médico, reforçando os indícios dos crimes.
O delegado responsável pelo flagrante informou que o homem foi autuado por injúria racial, em razão das ofensas relacionadas à religião da vítima, e por racismo, devido às declarações envolvendo sua nacionalidade.
O Ministério Público de Santa Catarina informou que analisa o caso para decidir se oferecerá denúncia à Justiça.
Em nota, a Prefeitura de Caçador manifestou repúdio a qualquer forma de racismo, discriminação ou preconceito, prestou solidariedade ao médico e reforçou que atos dessa natureza não serão tolerados nas unidades públicas do município. A administração também destacou que o caso foi encaminhado à Polícia Civil para a adoção das medidas previstas em lei.















