O câncer de bexiga não dói, mas dá sinais! Por isso, é importante a prevenção. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028 estima cerca de 13.110 novos casos anuais da doença no Brasil, o que equivale a um risco de 6,12 casos por 100 mil habitantes. O câncer de bexiga pode iniciar em qualquer faixa etária, porém é mais comum após os 50 anos, demonstrando que está associado ao envelhecimento.
Os homens têm o dobro de risco do que as mulheres, e está muito mais ligado aos hábitos do que a questão hormonal. Ainda segundo o INCA, são 4.070 novos casos por ano entre as mulheres e entre os homens são 9.040 casos anuais (risco de 8,65 a cada 100 mil), evidenciando também que o câncer avançado é encontrado muito mais nos homens do que nas mulheres, pois costumam ir com mais frequência ao médico. E quando se identifica o câncer no início, o tratamento, além de ser mais simples, tem um resultado muito mais efetivo.
Conforme explica o médico urologista, Serafim Venzon, membro da Associação Brusquense de Medicina – ABM, é fundamental ficar atento aos sintomas. “O primeiro e mais precoce sinal é sangue na urina que, no início, por ser pequeno, só se identifica no parcial de urina. Aliás, este é um exame simples, barato e muito importante, porque dá indícios de várias outras enfermidades. Na sequência, o ultrassom, que é simples, não invasivo e é possível ver o tamanho, a sua implantação e até suspeitar do tipo histológico. Depois, a biópsia é importante para elucidar a suspeita do tipo histológico. A tomografia e a ressonância magnética são importantes para fazer um estadiamento clínico, para planejar a cirurgia e ainda prever os tratamentos complementares. À medida que o tumor cresce, pode gerar grandes sangramentos. Esse sangue chega a ser visto a olho nu e, às vezes, até a causar obstruções da urina. O tumor pode crescer muito, ultrapassar os limites da bexiga e, ainda, gerar metástases para outros órgãos”, detalha o médico.
TRATAMENTO
De acordo com o urologista, o tratamento depende muito do tipo histológico e do estágio que é identificado, gerando mais chances de recuperação quando é identificado logo no início. O tempo de doença impacta na sobrevivência e na qualidade do tratamento. “O câncer se inicia com uma pequena verruguinha, mas aquilo pode crescer muito e modifica o tipo da cirurgia e o risco cirúrgico. Essas cirurgias, que podem ser realizadas através de um aparelho transuretral, também podem ser por vídeo ou ainda por robótica. Como tratamentos complementares, temos a radioterapia e a quimioterapia, mas o grande horizonte é chegar ao ponto de tratar o câncer sem ferir células, tecidos ou órgãos próximos. Atualmente, existem estudos avançados com a imunoterapia, onde se estimula o próprio organismo a identificar as células cancerígenas e combatê-las. E ainda existem estudos muito avançados com anticorpos conjugados, que se usa a teoria, digamos, das vacinas, onde os anticorpos combateriam, destruiriam apenas as células cancerígenas, porém este é ainda um grande sonho”, esclarece o médico.
CUIDADOS PARA EVITAR A DOENÇA
O médico Serafim Venzon, lembra que não existe uma causa específica para o câncer de bexiga, portanto, é fundamental respeitar alguns hábitos saudáveis que todos devem ter para evitar a doença. “Fumar, por exemplo, deve ser evitado. A fumaça do cigarro, do tabaco, na hora que queima, se decompõe num grande espectro de substâncias que atuam diretamente em diversos sistemas do nosso organismo, inclusive no aparelho urinário. Não comer ou evitar alimentos multiprocessados, muito conservados, aqueles que duram sempre, e dar preferência a alimentos crus. Tomar bastante água na temperatura do corpo, 36 graus, é a água quentinha. Lembrar que, o hábito de tomar banho, da higiene pessoal, é muito importante, mas as impurezas que estão dentro de nós, que são decorrentes daquilo que comemos, só conseguimos retirá-las do corpo se tomarmos muita água. Exercícios físicos. E tudo vale, desde pequenas distâncias a pé, as tarefas do cotidiano, ir ao mercado, ir à padaria, ir buscar o filho na escola a pé, tudo soma, e isso muitas vezes equivale a uma hora, duas horas de exercício e, naturalmente, fazer a academia também é importante”, orienta.
De acordo com o médico, considerando que, após os 50 anos aumenta muito a incidência de câncer em todos os sistemas do organismo, que demonstra uma correlação com o processo de envelhecimento, é preciso manter a rotina saudável. “Existem duas grandes coisas que cada um pode fazer: primeiro é ir ao médico regularmente, no máximo de dois em dois anos. O diagnóstico precoce e o tratamento logo no começo aumenta muito a qualidade do resultado, aumenta a sobrevida. E segundo, insistir nos bons hábitos. Como citamos, não conseguimos dimensionar quanto valem, mas são importantes para todos os sistemas do corpo”, conclui o urologista.
















