O pâncreas, órgão com cerca de 15 centímetros e formato parecido com uma pera deitada, tem funções essenciais para o corpo. Ele participa da digestão de proteínas e gorduras e ainda produz hormônios como a insulina, que ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue.
Por estar localizado em uma região profunda do abdome, o pâncreas não costuma ser avaliado em exames de rotina. Isso faz com que tumores na área sejam descobertos apenas em estágios avançados, quando os sintomas começam a se manifestar de forma mais clara.
Edu Guedes passa por cirurgia após diagnóstico
O apresentador e chef Edu Guedes, de 50 anos, precisou passar por uma cirurgia no último sábado (5), no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O procedimento faz parte do tratamento de um câncer de pâncreas, doença considerada agressiva e silenciosa.
Edu Guedes comunicou o afastamento temporário de suas atividades para se dedicar à recuperação, o que sensibilizou fãs e telespectadores em todo o país. A estimativa de novos casos no Brasil, segundo dados oficiais, gira em torno de 11 mil por ano, o que demonstra a relevância do tema para a saúde pública.
Um especialista explica que o câncer de pâncreas está entre os que mais avançam no Brasil e no mundo, com tendência de crescimento e alta letalidade.
Tipos de tumor e sintomas mais comuns
O câncer de pâncreas pode ser classificado em dois tipos mais frequentes. O primeiro é o adenocarcinoma, que representa cerca de 90% dos casos e se origina nas células produtoras de enzimas digestivas, sendo mais agressivo. O segundo tipo são os tumores neuroendócrinos, ligados às células que produzem hormônios, geralmente menos agressivos e com melhor resposta ao tratamento.
Os sintomas iniciais costumam ser discretos ou inexistentes, o que atrapalha o diagnóstico precoce. Entre os sinais possíveis estão perda de peso, fraqueza, dor abdominal, alterações nas fezes, icterícia (amarelamento da pele e dos olhos), náuseas, falta de apetite e dor que se espalha para as costas.
Mudanças recentes no padrão de diabetes também podem servir de alerta, já que a doença pode estar relacionada ao desenvolvimento do tumor.
Tratamento e expectativa de cura
Atualmente, a cirurgia é a única forma considerada curativa para o câncer de pâncreas, desde que o tumor seja operável. Mesmo após a operação, muitos pacientes precisam de quimioterapia para reduzir o risco de retorno da doença.
Além dos tratamentos convencionais, existem medicamentos mais modernos, chamados terapias-alvo, que atuam diretamente em mutações específicas do tumor. No Brasil, já há pelo menos uma medicação aprovada para determinados perfis genéticos, oferecendo novas possibilidades para pacientes.
De acordo com especialistas, estudos avançam no mundo todo para melhorar o rastreamento da doença e permitir diagnósticos mais precoces, aumentando as chances de cura.
Prevenção e cuidados com o estilo de vida
Não existe ainda um exame recomendado para rastrear o câncer de pâncreas na população geral. Por isso, médicos orientam que a melhor forma de prevenção é manter hábitos saudáveis: evitar o tabagismo, praticar atividade física regular, controlar o peso e ter uma alimentação balanceada.
A obesidade e o sobrepeso se tornaram fatores de risco relevantes nos últimos anos e podem explicar parte do crescimento no número de casos. O tumor costuma ser mais frequente após os 50 anos, mas também pode surgir em pessoas a partir dos 40.
Quanto mais cedo for descoberto, maiores as chances de um tratamento bem-sucedido.