Mesmo com o avanço das tecnologias de monitoramento meteorológico, alguns fenômenos ainda representam um desafio para a emissão antecipada de alertas. É o caso do granizo, segundo o diretor da Defesa Civil de Brusque, Edevilson Cugik.
Em entrevista à Rádio Araguaia, Cugik explicou que eventos como granizo, vendavais e deslizamentos apresentam características que dificultam uma previsão precisa sobre quando e onde os impactos serão registrados.
No caso dos deslizamentos, o diretor citou situações em que encostas permanecem estáveis mesmo depois de grandes volumes de chuva, mas podem apresentar movimentação posteriormente diante de uma precipitação significativamente menor.
“Às vezes, a gente tem encostas e barrancos que foram escavados há 20, 30 anos, passaram por chuvas de 200, 300 milímetros e não tiveram movimentação. Às vezes, uma chuva de 30 milímetros acaba deslizando”, exemplificou.
Alerta de granizo é emitido pelo Estado
Cugik também esclareceu que os alertas de granizo não são emitidos pela Defesa Civil municipal. A responsabilidade é da Defesa Civil de Santa Catarina, que conta com meteorologistas responsáveis pela análise das condições e pela emissão dos avisos.
Segundo ele, os radares permitem acompanhar a formação e o deslocamento das áreas de instabilidade. O problema é que os sinais indicando possibilidade de granizo podem aparecer pouco tempo antes de o fenômeno atingir determinada região.
Foi o que ocorreu durante o episódio recente de granizo registrado em Brusque no dia 28 de julho. Conforme Cugik, durante o dia havia apenas uma possibilidade remota de ocorrência. Quando a Defesa Civil municipal recebeu o aviso por SMS, a informação foi imediatamente encaminhada à imprensa.
De acordo com o diretor, isso aconteceu aproximadamente 10 a 15 minutos antes do início do granizo.
Por que algumas pessoas receberam o alerta depois do granizo?
Durante a entrevista, Cugik também explicou por que moradores receberam o alerta do sistema Cell Broadcast em momentos diferentes. Enquanto alguns celulares foram avisados antes do fenômeno, outros receberam a mensagem durante ou até mesmo depois da ocorrência.
O sistema depende da cobertura da rede móvel. Conforme a explicação do diretor, o aparelho precisa estar conectado a uma rede 4G ou 5G para receber o aviso. Em regiões onde essa cobertura não está disponível, o alerta pode não chegar naquele primeiro momento.
Cugik citou como exemplo o bairro Poço Fundo. Segundo ele, em locais sem cobertura 4G, o usuário não receberá o Cell Broadcast enquanto permanecer fora da rede compatível.
Além disso, após o disparo, existe um período de aproximadamente oito a dez minutos para distribuição das mensagens aos aparelhos localizados na área abrangida pelo alerta.
Sistema pode reenviar aviso
Outra característica do sistema ajuda a explicar o atraso. Se uma pessoa estiver em uma região sem cobertura compatível no momento do disparo e posteriormente entrar em uma área com 4G ou 5G, o sistema pode identificar que aquele aparelho ainda não recebeu a mensagem e encaminhar o aviso.
Segundo Cugik, isso pode ocorrer por até 15 minutos adicionais. Considerando o período inicial de distribuição e esse intervalo posterior, em determinadas situações a mensagem pode chegar cerca de 25 minutos após o início do processo de envio.
Esse mecanismo foi desenvolvido para ampliar o alcance dos avisos, especialmente em ocorrências nas quais há um tempo maior de resposta, como chuvas intensas, enxurradas e cheias. Em fenômenos de formação e ocorrência muito rápidas, como o granizo, porém, essa característica pode fazer com que parte da população receba o alerta quando o evento já estiver acontecendo ou até mesmo depois.
Ouça o que disse Edevilson Cugik durante entrevista ao vivo no Jornal da Manhã:















