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Escola do Legislativo promove palestra sobre proteção de meninas e adolescentes contra a violência

Atividade reuniu orientações sobre prevenção, acolhimento, diálogo familiar e cuidados

Fonte: Câmara Municipal de Brusque / Imagem: Aline Bortoluzzi/Câmara de Brusque

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A Escola do Legislativo Vereador Alexandre Merico promoveu, na noite desta segunda-feira, 24 de agosto, a palestra “Agosto Lilás: Como proteger meninas e adolescentes da violência”, no plenário da Câmara Municipal de Brusque. A atividade teve como palestrante principal a delegada Beatriz Ribas Dias dos Reis, da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e à Pessoa Idosa (DPCAI), e foi aberta à comunidade, com atenção especial a pais, educadores e estudantes.

O encontro abordou formas de prevenção e acolhimento diante de diferentes tipos de violência contra meninas e adolescentes, inclusive nos ambientes digitais. Entre os assuntos tratados estiveram a importância do diálogo aberto e responsável entre pais e filhos sobre sexualidade e respeito, ferramentas para auxiliar educadores na mediação de conflitos e orientações sobre o registro de denúncias relacionadas a crimes cibernéticos.

A abertura foi conduzida pela vereadora Elizabete Maria Barni Eccel, a Bete (PT), que apresentou dados e um panorama local relacionado à violência. Ao cumprimentar a plateia, ela ressaltou a importância do encontro e da participação da comunidade. “Quando a comunidade se reúne para conversar justamente sobre esse tema, demonstra muito claro o quanto que a gente se importa e o quanto está disposto a tentar ajudar nessa questão, nesse grande desafio que a gente enfrenta”, disse.

Bete chamou a atenção para sinais que podem indicar situações de violência e para a necessidade de agir preventivamente. “A violência nem sempre deixa marcas que a gente consegue enxergar. Ela aparece no silêncio, na mudança de comportamento, no medo, no isolamento, na queda do rendimento escolar ou simplesmente numa sensação de que algo mudou. E por isso que falar de prevenção é tão importante. A proteção começa muito antes de uma situação de violência acontecer. Começa quando ensinamos às nossas crianças que ninguém tem o direito de tocar nelas sem o consentimento. Quando ensinamos que respeito não é negociável e que elas têm o direito de dizer não. Começa quando construímos dentro de casa, nas escolas, nos espaços de convivência, ambientes seguros para as nossas crianças, para os nossos adolescentes, em que eles possam falar e, principalmente, quando nós, adultos, aprendemos a escutar”, alertou a parlamentar.

Na sequência, Beatriz Ribas tratou de medidas práticas de prevenção e destacou que a identificação de possíveis situações de violência depende também do olhar atento das pessoas que convivem diariamente com crianças e adolescentes. Segundo a delegada, muitas denúncias chegam à polícia por intermédio das redes de saúde e educação ou de forma anônima. “De cada dez denúncias que eu recebo, duas a pessoa vai à delegacia registrar a ocorrência. As outras oito entram pela rede de Saúde, pela rede de Educação, entram por denúncia anônima. Então, nós precisamos de vocês atentos com esse olhar, porque eu estou dentro da delegacia. São vocês que estão com elas no dia a dia: uma avó, uma cuidadora, uma vizinha, um professor”, afirmou.

A delegada observou ainda que, em muitos casos, o autor da violência pertence ao próprio círculo familiar, o que pode dificultar a revelação e a formalização da denúncia. “Muitos dos abusadores são membros da família. São tios, são padrastos, são avós. E essa criança nunca, ou dificilmente, vai conseguir apoio dentro de casa para levar ela a uma delegacia e fazer a denúncia, porque essas crianças contam no ambiente familiar e todo mundo duvida delas. Então, nem sempre vai ser em casa que ela vai contar. Ela vai contar para uma professora, para um educador, para um vizinho, para alguém que ela sinta essa conexão”, explicou. Por isso, Beatriz orientou o público a observar mudanças de comportamento que possam servir de alerta, como automutilação, introspecção, queda no rendimento escolar, desânimo, falta de apetite e afastamento do convívio social.

Durante a palestra, ela também chamou a atenção dos pais e responsáveis para a importância de conhecer as relações mantidas pelos filhos fora de casa. “Nós temos que estar atentos: quem são os amigos dos meus filhos? Na casa de quem meus filhos vão? Aonde eles dormem?”, exemplificou. A delegada reforçou que esse acompanhamento faz parte das medidas de prevenção e proteção adotadas no cotidiano familiar.

Assista ao evento na íntegra: https://youtube.com/live/5FFiDucchys

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