Publicidade

Janeiro Branco: CAPS AD de Brusque alerta que vício passa pela saúde mental

Dependência química está altamente relacionada com transtornos mentais

Fonte: Duda Antunes/Prefeitura de Brusque

Publicidade

O vício não começa apenas com o uso de uma substância. Ele se constrói, muitas vezes, a partir de dores emocionais, traumas e transtornos mentais não tratados. No Janeiro Branco, campanha nacional de conscientização sobre saúde mental, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) de Brusque chama atenção para o fato de que a dependência química é uma condição que exige cuidado contínuo e tratamento especializado.

Atualmente, a unidade atende 103 pacientes, com acompanhamentos organizados com frequência e as estratégias de cuidado conforme o grau de dependência e a realidade de cada pessoa. “Tem paciente com nível de dependência muito elevado, que já não tem mais vínculo com a família. Nesses casos, o CAPS busca fazer uma reconstrução para que depois seja possível uma reinserção na sociedade”, explica o enfermeiro do CAPS AD, Obadias Dias de Sousa.

A equipe do CAPS AD é multiprofissional, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, farmacêuticos, entre outros profissionais. Segundo Obadias, a dependência química raramente aparece de forma isolada. “Ela passa muito por questões de saúde mental. Muitas vezes existe um transtorno de base ou um trauma, e a pessoa encontra no álcool ou nas drogas uma forma de escape. A substância traz alívio imediato. Por isso, em alguns casos, a gente trata primeiro o transtorno para depois trabalhar a dependência.” O serviço atua de forma integrada com o CAPS de saúde mental e também recebe encaminhamentos das Unidades Básicas de Saúde, porta de entrada do sistema.

O CAPS AD de Brusque funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, na Rua Riachuelo, 45, no Centro. O atendimento inclui acompanhamento individual e atividades em grupo, como oficinas de música, rodas de conversa sobre atualidades, grupos de ressignificação de vida e ações voltadas à inserção no mercado de trabalho, com orientações sobre elaboração de currículo e comportamento em entrevistas. “As atividades buscam oferecer estratégias para enfrentar o uso da substância e ajudar a lidar com a ansiedade e com a realidade”, afirma Obadias.

De acordo com a equipe, a maior procura por tratamento está relacionada ao álcool, seguida por cocaína e crack. Também há aumento na busca por ajuda em casos de dependência de jogos, embora muitas pessoas ainda não reconheçam esse comportamento como um vício. O enfermeiro destaca a resistência de parte da população em procurar o serviço. “Muita gente que se mantém funcional, tem emprego, acaba se comparando com pessoas em situação de rua e acha que é diferente. A sociedade ainda olha para o CAPS como um lugar de ‘gente doida’, mas não é. É um espaço aberto para todos que precisam de ajuda.”

Além do atendimento aos pacientes, o CAPS AD realiza atividades com familiares. “É fundamental conscientizar a família de que existe um processo de evolução. O paciente não vai melhorar da noite para o dia. A luta é para a vida toda, porque não existe ex-dependente. A família precisa estar preparada e ser aliada nesse processo”, afirma.

Segundo ele, pessoas em situação de rua, por exemplo, demandam acompanhamento mais frequente. “Se essa pessoa continua na rua, a tendência é aumentar o uso da substância. Por isso, ela precisa frequentar o CAPS mais vezes.” Já pacientes que desenvolvem mecanismos para enfrentar a dependência podem reduzir o tempo de permanência no serviço. “Isso depende da avaliação do técnico de referência, da necessidade real do paciente e também da voluntariedade. O CAPS funciona como uma via de mão dupla: o paciente precisa querer e o serviço constrói a proposta junto com ele.”

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Publicidade

Fale Conosco

plugins premium WordPress

Utilizamos cookies para lhe proporcionar a melhor experiência no nosso portal. Conheça nossa Política de privacidade ou clique em continuar no botão ao lado.