Por quase seis décadas, os orelhões foram parte do cotidiano das cidades brasileiras. Mas essa realidade tem data para acabar: até o fim de 2028, os cerca de 30 mil telefones públicos restantes serão retirados de circulação, encerrando oficialmente um capítulo da comunicação no país.
A medida ocorre após o fim dos contratos de concessão da telefonia fixa, válidos até dezembro de 2025. Esses contratos exigiam a manutenção dos orelhões, espalhados por milhares de municípios. Com a mudança nas regras, esse modelo será substituído por autorizações de serviço, que permitem a retirada gradual dos aparelhos.
Nova fase da telefonia no país
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) afirmou que a proximidade do fim dos contratos abriu espaço para uma revisão do modelo de concessão. A proposta é simples: deixar de investir em estruturas antigas e canalizar recursos para ampliar o acesso à banda larga.
Com isso, empresas como Oi, Vivo, Claro/Telefônica, Algar e Sercomtel passaram a negociar a migração do serviço de telefonia fixa para um regime privado, baseado em metas de conectividade e inovação tecnológica.
A situação da Oi também influenciou o processo. Desde 2016, a operadora enfrenta graves dificuldades financeiras, com falência decretada e impacto direto na manutenção de serviços.
Onde os orelhões vão continuar funcionando
Apesar da extinção programada, cerca de 9 mil orelhões seguirão operando temporariamente. Esses aparelhos estão localizados em municípios que ainda não possuem cobertura 4G — com maior concentração no estado de São Paulo.
A localização de cada orelhão ativo pode ser consultada no site da Anatel. A agência informou que, nessas localidades, as operadoras devem manter o serviço de voz até 31 de dezembro de 2028, usando qualquer tecnologia disponível.
Além disso, as empresas assumiram o compromisso de investir em melhorias estruturais. Entre as ações previstas estão:
- Instalação de fibra óptica em áreas não atendidas;
- Ampliação da rede móvel e instalação de antenas 4G;
- Instalação de cabos submarinos e fluviais;
- Melhoria da conectividade em escolas públicas;
- Construção de data centers.
Orelhões ainda em operação
Atualmente, a Oi é a empresa com maior número de orelhões ativos: 6.707. Já Vivo, Algar e Claro/Telefônica devem desligar suas redes ainda em 2026, restando cerca de 2 mil aparelhos sob responsabilidade dessas empresas.
Outros 500 telefones públicos pertencem à Sercomtel e estão instalados em Londrina e Tamarana, no Paraná. A retirada desses aparelhos depende da conclusão de adaptações exigidas por lei.
A população também pode solicitar o desligamento de orelhões que não são mais obrigatórios. Se a operadora não responder, o pedido pode ser feito diretamente à Anatel, pelo telefone 1331 ou pelo site oficial.
Uma memória da arquitetura e da comunicação
Criados pela arquiteta Chu Ming Silveira, os orelhões marcaram uma época em que fazer uma ligação era um ritual urbano. No auge da popularidade, mais de 1,5 milhão de unidades estavam em funcionamento no Brasil.
Além de seu valor funcional, os orelhões também se tornaram parte da paisagem e da memória afetiva de muitos brasileiros. Sua retirada representa não apenas uma mudança tecnológica, mas também o fim simbólico de um tempo em que a comunicação exigia moedas, fichas e filas.
















