O Centro Universitário da Fundação Educacional de Brusque (UNIFEBE) lançou um Programa de Doação Voluntária de Corpos voltado ao ensino e à pesquisa no curso de Medicina. A iniciativa permite que pessoas manifestem, ainda em vida, o desejo de doar seus corpos para estudos e formação de profissionais da saúde.
Aos 70 anos, JTST tomou uma decisão pouco comum, mas de grande contribuição para o ensino e pesquisa na Medicina: tornar-se doador de seu próprio corpo. Por meio do Programa de Doação de Corpos da UNIFEBE, oficializou sua vontade, em uma decisão extremamente pessoal, com a compreensão e apoio dos membros de sua família.
A doação de corpos é amparada pelo Código Civil, conforme o Artigo 14 da Lei 10.406/2002: “é válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.” O ato é totalmente gratuito e, com objetivo científico ou altruístico, contribui para o desenvolvimento e para a formação de profissionais da área da saúde.
JTST descobriu a possibilidade com seu cirurgião-dentista, Dr. Rafael Saviolo Moreira, que também é professor responsável pela disciplina Anatomia Humana do Curso de Medicina da UNIFEBE. “O Dr. Rafael me contou sobre o que é a doação de corpos durante uma conversa. Pensei bastante. Foram dois anos para tomar a decisão”, explica.
Ele reconhece que o tema é sensível e destaca que se trata de uma decisão muito pessoal. Por seus motivos, por sua visão de mundo e por suas crenças, optou por um ato que é uma contribuição à ciência e à saúde.
Relevância em ciência e educação
O estudo da anatomia humana é fundamental na formação de profissionais de Medicina, Enfermagem, Fisioterapia e de outras áreas da saúde. Desta forma, o uso de corpos reais eleva o nível do aprendizado prático e da compreensão detalhada das estruturas do corpo humano. Isso ocorre mesmo com o avanço de tecnologias educacionais para esta área de estudo. Além da utilização no ensino, o corpo doado tem grande importância na pesquisa.
Há ainda o aspecto da formação que transcende a técnica. A prática acadêmica com corpos reais auxilia os estudantes na compreensão da finitude da vida e no enfrentamento da morte como parte do ciclo humano. Tratar a morte com respeito e lucidez é essencial aos profissionais da área da saúde.
“A doação do próprio corpo vai além de uma decisão individual. Trata-se de uma contribuição magnífica para o aprendizado da anatomia humana por parte de todos os estudantes da área da saúde, bem como para a formação de futuros profissionais com uma qualificação mais avançada e completa para o exercício de suas profissões. Desta forma, a doação também é um ato que fortalece a saúde coletiva”, explica o professor de Anatomia Humana do Curso de Medicina, Rafael Saviolo Moreira.
Como ser doador
Preferencialmente, a decisão deve ser tomada em vida pelo doador. Contudo, é necessário que, após sua morte, a família permita a doação. Sem esta permissão final, é impossível prosseguir.
Para oficializar o compromisso, é preciso preencher um formulário e o Termo de Doação Voluntária de Corpo para Estudo Anatômico. Neste Termo, são necessárias assinaturas de testemunhas.
“A partir de uma certa idade, começamos a pensar mais sobre essas coisas. Sobre como vamos viver os próximos anos. Enquanto seres humanos, somos muito ligados, não só ao nosso corpo, mas também ao material, à matéria em geral. E em casa temos refletido bastante sobre a questão espiritual, sobre o que importa, o que fica aqui e o que vai adiante”, relata JTST.
É necessário o consentimento da família para que a vontade do doador possa ser cumprida. Por isso, ao longo dos dois anos, o doador discutiu a ideia com seus familiares mais próximos, que compreenderam e apoiaram sua escolha.
“A criação deste programa reforça o compromisso da UNIFEBE com a excelência técnica e o compromisso ético no ensino e na pesquisa. Estudar em modelos humanos reais é imprescindível para compreender a complexidade e as variações do corpo humano. Ao criar e formalizar um Programa de Doação voluntária, garantimos além de um aprendizado marcado pelo respeito absoluto à dignidade da pessoa, a possibilidade de honrarmos a vontade daqueles que escolheram de maneira magnífica, contribuir para o avanço da medicina e da saúde”, afirma o professor Saviolo.
Procedimento de doação
Quando um doador falece, um familiar próximo do doador precisa entrar em contato com a UNIFEBE para comunicar o falecimento e tomar as providências legais. O Programa de Doação de Corpos fica encarregado de organizar o transporte do corpo, após a realização de um funeral, se a família assim desejar. É importante que o corpo não tenha passado, nem passe, por procedimentos de conservação para um velório convencional.
Na universidade, o corpo será submetido a processos específicos para fixação e conservação. Somente então estará disponível para os devidos fins acadêmicos. A estimativa é de que um corpo possa ser utilizado ao longo de mais de 15 anos.
O Programa de Doação de Corpos se compromete a realizar os procedimentos de transporte para óbitos que tenham ocorrido em municípios distantes até 60 quilômetros de Brusque.
“Já na UNIFEBE, realizamos uma breve cerimônia de agradecimento e homenagem ao doador e a sua família pela decisão, pela contribuição tão fundamental à ciência. Existe uma ética, um modo muito respeitoso e profissional de tratamento antes, durante e após cada procedimento”, garante o professor Saviolo.
O Programa de Doação de Corpos passa a integrar as iniciativas da UNIFEBE voltadas à formação prática e ética de profissionais da saúde, ampliando a estrutura acadêmica do curso de Medicina e incentivando a contribuição voluntária à ciência. Acesse unifebe.edu.br/site/programa-de-doacao-de-corpos para mais detalhes e informações.
Potenciais doadores e interessados no Programa de Doação de Corpos podem tirar dúvidas pelo WhatsApp: (47) 99795-0721.
Avanço institucional
A elaboração do Programa de Doação de Corpos representa um passo importante para o fortalecimento do Curso de Medicina e do ensino em saúde na UNIFEBE, conforme relata o pró-reitor de Graduação, professor Sidnei Gripa.
“Trata-se de uma iniciativa construída com grande responsabilidade institucional. Além de ampliar as possibilidades de formação prática dos estudantes, o programa também contribui para o desenvolvimento da pesquisa, da extensão e para melhoria do ensino anatômico, sempre com profundo respeito à dignidade humana e a generosidade das pessoas que optaram pela doação.”
O coordenador do Curso de Medicina da UNIFEBE, professor Dr. Osvaldo Quirino de Souza, destaca a abertura da possibilidade de doação de corpos na região e a contribuição que a doação tem para a ciência e para a humanidade. “Entendo que seja uma excelente oportunidade. O curso de Medicina da UNIFEBE está em franco desenvolvimento, franco crescimento, e precisamos de iniciativas como essa para a continuidade do que é sempre o nosso objetivo: o ensino de alta qualidade.”
“Uma instituição de ensino de excelência requer, entre outras coisas, a prática, os recursos, os programas de excelência. O Programa de Doação de Corpos é um passo importante para o Curso de Medicina da UNIFEBE, que consolida sua força e evolui a cada momento, graças a seus professores, acadêmicos e gestores. Trata-se de uma iniciativa fundamental para qualquer curso de Medicina da melhor qualidade e é mais um motivo de orgulho para todos nós”, conclui a reitora da UNIFEBE, professora Rosemari Glatz.
Perguntas mais frequentes
Como se tornar um doador?
Qualquer pessoa com mais de 18 anos que deseje doar seu corpo à ciência após seu falecimento deve, em primeiro lugar, discutir a possibilidade com sua família e amigos mais próximos, comunicando-os da decisão.
Os próximos passos são entrar em contato com a UNIFEBE e preencher o Termo de Doação Voluntária de Corpo para Estudo Anatômico, com assinatura do doador e do familiar mais próximo, como testemunha, com registro em cartório. Se o doador for incapaz de preencher os dados, um familiar responsável poderá fazê-lo.
Desta forma, o doador potencial estará devidamente registrado, com informações protegidas e armazenadas no banco de dados do Programa de Doação de Corpos da UNIFEBE.
Existe alguma restrição que impeça a doação do corpo?
Sim. Há duas situações principais de exceção, que impedem a doação do corpo. Uma é em caso de óbito ocorrido de forma violenta, que necessite legalmente de autópsia. Outra é em caso de doenças infectocontagiosas, que possam causar risco biológico.
Realizei todos os procedimentos para a doação do corpo. Posso desistir?
Sim, você pode mudar de ideia a qualquer momento e desistir da doação. Neste caso, a UNIFEBE deve ser informada.
Mesmo sendo um doador, meus familiares poderão impedir a doação do corpo após minha morte?
Sim. Seus familiares podem optar por não entrar em contato com a UNIFEBE ou impedir a doação. A instituição respeitará o sentimento e a decisão dos familiares.
Não sou oficialmente um doador, pois não preenchi a documentação necessária. Posso ser um doador mesmo assim?
É possível, caso você tenha, em vida, manifestado a vontade de ser um doador. Sua família poderá estar de acordo e entrar em contato com a UNIFEBE.
Posso doar parte do meu corpo ainda em vida, se a perdi por acidente?
Normalmente, sim. Contudo, o Programa de Doação de Corpos da UNIFEBE não atua com essa possibilidade no momento. O procedimento para este caso é um pouco mais complexo, envolvendo outros formulários e autorizações, além de documentações do hospital.
Posso optar por ser doador de órgãos e doar o restante do corpo ao ensino e à pesquisa?
Sim, essa opção apenas precisa estar registrada para que a vontade do doador seja respeitada.
















