O Colégio Cônsul Carlos Renaux conquistou um resultado histórico na World Robot Olympiad (WRO) 2026, realizada em agosto. A equipe CCR Masters sagrou-se campeã nacional da categoria RoboSports e garantiu vaga para representar o Brasil na etapa mundial da competição que será realizada em Porto Rico no mês de dezembro.
A equipe campeã é formada pelos estudantes Cristian Krieger Corrente (16), Matheus Gabriel Isleb (18) e Guilherme Gamba (17). Na primeira fase da competição, o trio teve campanha perfeita, com seis vitórias em seis partidas. Depois, avançou pelas quartas de final, semifinal e decisão. Com o título, o Colégio Cônsul tornou-se a primeira escola brasileira campeã da RoboSports, modalidade que estreou no país neste ano.
O professor Shaian Ari Kriga, que acompanha o projeto, explicou que a RoboSports exige que os robôs atuem de maneira totalmente autônoma, sem controle externo. Na edição deste ano, o desafio escolhido foi o tênis de mesa, com dois robôs se enfrentando em partidas de melhor de três.
Segundo o professor, a campanha surpreendeu até mesmo a própria equipe. Ao longo de toda a competição, os alunos perderam apenas dois rounds. “Foi uma surpresa e uma promoção do que eles fizeram. Principalmente todo o mérito dos alunos, que focaram e tiveram como recompensa este título”, destacou.
Com a conquista, a CCR Masters será a única representante do Brasil na RoboSports durante o mundial em Porto Rico. A expectativa é de que aproximadamente 90 países estejam representados na competição internacional.
Equipe faz campanha para custear viagem
A equipe iniciou uma campanha para arrecadar recursos e ajudar a custear a viagem. Segundo o professor Shaian Ari Kriga, o colégio arca com parte das despesas, mas os custos de participação na etapa internacional são elevados. A estimativa inicial é de um investimento mínimo de R$ 10 mil por integrante da equipe.
“Uma etapa dessa vai envolver, sim, um investimento, um custo. O próprio colégio ajuda em boa parte, mas a gente está ciente de que os custos são bem altos”, explicou.
Para complementar os recursos necessários, a equipe promove uma rifa aberta à comunidade e também criou uma vaquinha on-line. As informações para colaborar estão disponíveis no perfil da equipe nas redes sociais através do @robotica.consul no Instagram.
“Qualquer pessoa da comunidade está convidada a participar e nos ajudar. Cada valor, cada centavo importa nessa questão”, destacou o professor.
Além das contribuições individuais, o grupo busca patrocinadores entre empresários de Brusque e região.
De acordo com Shaian, algumas empresas já aderiram à campanha, mas novos apoios ainda são necessários para viabilizar a participação da equipe na competição internacional.
Como contrapartida, os patrocinadores poderão ter suas marcas divulgadas em materiais que acompanharão o grupo durante a viagem. A equipe prepara uma bandeira com as marcas dos apoiadores, que será levada a Porto Rico, além de camisetas padronizadas com a identificação dos patrocinadores.
“É uma forma de nós levarmos a marca de quem acredita na educação para o exterior também”, afirmou.
Preparação para o mundial
Neste momento, a equipe concentra os esforços na preparação para o desafio internacional. Matheus Gabriel, de 18 anos, destacou que a estreia da categoria no Brasil dificultava qualquer previsão sobre o nível da competição nacional, e que a disputa mundial exigirá ainda mais treinamento.
“Agora a gente vai ter que treinar mais ainda porque o nível internacional é com certeza mais difícil”, afirmou o estudante.
Para Matheus, a robótica também proporciona aprendizados que vão além da programação e da montagem dos equipamentos.
Segundo o aluno, situações adversar ajudam a desenvolver a capacidade de lidar com frustrações, desafios e resolução de problemas, conhecimentos que pretende levar também para a vida profissional.
Cristian Krieger Corrente, de 16 anos, participa de competições de robótica pelo colégio há cerca de quatro anos. Para ele, a atividade estimula o raciocínio lógico, criatividade e capacidade de buscar soluções.
Na preparação para dezembro, a equipe trabalha, inclusive, na integração de uma câmera com inteligência artificial ao robô, com o objetivo de permitir a identificação automática da bola durante as partidas.
Já Guilherme Gamba, de 17 anos, reforça que o grupo não pretende viajar apenas para adquirir experiência.
“Nós não estamos indo simplesmente para ganhar essa experiência, mas estamos indo para buscar o pódio mesmo”, afirmou.
Dentro da equipe, as tarefas são divididas de acordo com as características de cada integrante. Cristian atua principalmente na programação e nos trajetos do robô, enquanto Guilherme e Matheus contribuem mais diretamente com as ideias de funcionamento, movimentação e estratégias para executar as tarefas. Apesar da divisão, o trabalho é desenvolvido de forma conjunta.














