O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou uma mulher por maus-tratos contra uma cadela que teria sido arremessada de uma ponte dentro de um saco plástico em Joinville. O animal foi resgatado com vida após o crime, mas morreu semanas depois em decorrência dos graves problemas de saúde que apresentava.
A denúncia foi apresentada pela 21ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville. Segundo o MPSC, a mulher teria lançado a cadela, sem raça definida, do alto de uma ponte localizada entre os bairros Comasa e Espinheiros, no dia 25 de março de 2025.
Conforme a ação penal, o animal estava dentro de um saco plástico, com a boca e as patas amarradas, o que impossibilitava qualquer reação ou tentativa de fuga. A acusação sustenta que a conduta foi praticada com a intenção de provocar a morte da cachorra, que foi jogada em uma área de mangue.
A morte, no entanto, não ocorreu naquele momento porque o animal foi localizado por terceiros, resgatado e encaminhado para atendimento veterinário em estado grave. Durante os exames, foram constatadas lesões traumáticas na cabeça, hematomas e sinais de negligência, incluindo infestação por parasitas.
O Ministério Público aponta ainda que, antes mesmo do episódio, a responsável já teria deixado de prestar os cuidados básicos necessários à saúde da cadela. Após o resgate, foi constatado que o animal sofria de cinomose, doença grave que exige acompanhamento veterinário contínuo.
Segundo o MPSC, a falta de tratamento adequado contribuiu para o agravamento do quadro clínico. A cadela não resistiu e morreu em 31 de maio de 2025.
Na denúncia, o Ministério Público requer a condenação da acusada pelos crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais. Também foi solicitado o pagamento de indenização mínima de R$ 10 mil pelos danos causados ao animal e o perdimento dos bens utilizados na prática do crime, incluindo a bicicleta elétrica que teria sido usada para transportá-lo.
A denúncia ainda aguarda análise da Justiça.
Responsável pelo caso, a promotora de Justiça Simone Cristina Schultz afirmou que a conduta teria sido praticada com a intenção direta de matar o animal. Segundo ela, os fatos vão além de um episódio isolado e indicam uma sequência de atos marcados por abandono, negligência e violência.
A promotora também destacou que os animais são reconhecidos como seres sencientes, ou seja, capazes de sentir dor e sofrimento, o que reforça a gravidade dos maus-tratos apontados na denúncia.
















