Desde abril de 2024, Brusque encontrou um novo ponto de apoio para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias. O Centro de Reabilitação Especializado na Saúde Infantil (CRESI) tornou-se um espaço de acolhimento, cuidado e transformação. Com mais de 570 crianças atendidas desde sua criação e 134 em acompanhamento ativo, atualmente o centro se consolidou como um pilar para quem enfrenta os desafios do autismo.
Entre as vozes que ecoam gratidão e esperança, está a de Marciana Schmengler, moradora do bairro Nova Brasília, síndica, casada e mãe do pequeno Samuel. “Para mim, como mãe, foi um susto enorme”, relembra ela ao falar sobre o diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e autismo do filho. “Desde bebê, eu sentia que algo estava diferente e que ele precisava de mais atenção”.
Foi na unidade de saúde do bairro que Marciana conheceu o CRESI. A partir daquele momento, a caminhada, que antes parecia solitária, passou a ser acompanhada por profissionais especializados e uma rede de apoio. “A terapeuta Luciana me acolheu com muito carinho e, a cada atendimento, me ensinou como lidar com as situações. Meu filho recebeu atendimentos com psicólogos, psiquiatras, terapia ocupacional, tanto em grupo quanto individual, além de outros acompanhamentos neuropsicológicos. A cada dia eu percebia mudanças na vida do Samuel, no comportamento e no convívio”, conta.
O CRESI oferece uma abordagem integral, com uma equipe multidisciplinar composta por psicólogo, assistente social, psiquiatra, terapeuta ocupacional e psicopedagogo. Essa estrutura garante um atendimento especializado e humanizado. Para os casos que demandam maior assistência, como os de crianças autistas com nível de suporte 3, a Secretaria de Saúde firmou um convênio com a Associação de Amigos dos Autistas (AMA), promovendo um trabalho conjunto que amplia as possibilidades de atendimento.
São diversas atividades e ações desenvolvidas no CRESI, como a organização da rotina ocupacional, a estimulação cognitiva e sensorial, o incentivo à independência funcional e a promoção de habilidades sociais. Tudo isso para garantir que as crianças não apenas se desenvolvam, mas também encontrem espaço de inclusão na escola e na comunidade.
Para Marciana, os cuidados oferecidos pelo CRESI transformaram, não só a vida de Samuel, mas também a dela própria. “Nós não estamos preparados para um diagnóstico desses, mas o acolhimento foi tão importante que eu percebi que a gente tem saída. Basta procurar ajuda. Hoje eu só tenho gratidão pelo serviço que Brusque oferece. Ver meu filho acolhido e cuidado com tanto carinho me traz uma paz enorme”, relata.
O impacto das ações do CRESI vai muito além do diagnóstico precoce e das intervenções terapêuticas. Ele está na forma como mães como Marciana encontram força para continuar lutando e acreditando em um futuro mais inclusivo e acolhedor para seus filhos.
“O trabalho desenvolvido não se resume a procedimentos técnicos, ele floresce no carinho dedicado, na escuta atenta e no respeito às singularidades de cada criança e de cada família. Os resultados desse trabalho integrado têm sido extremamente positivos, com avanços na identificação do TEA, no suporte às famílias e na inclusão social das crianças”, finaliza a coordenadora do CRESI, Inajá Araújo.