O projeto Memória em Vozes e Imagens, do Coletivo Jogral, fez sua estreia na noite de quarta-feira, 6 de maio, na Fundação Cultural de Brusque, com a apresentação do espetáculo Vozes e Memória e a abertura da exposição “Brusque – instantes guardados”. O evento reuniu público de diferentes idades em uma viagem pela história, memória e identidade cultural brusquense, por meio de relatos orais, fotografias históricas e objetos antigos relacionados aos processos de gravação de som e imagem.
A exposição apresenta 20 fotografias registradas pelo fotógrafo amador Erico Zendron entre as décadas de 1950, 1960 e 1970, além de 12 peças e equipamentos originais da época, como câmeras, rádios, televisores e projetores. O material permanece aberto para visitação gratuita na Fundação Cultural até o dia 26 de junho.
Filho do fotógrafo homenageado, João Carlos Zendron destacou a importância de preservar o legado construído pelo pai ao longo de décadas. “Para a família é um orgulho. Meu pai está com 97 anos e estamos muito agradecidos por esse trabalho feito com as fotos dele. É o passado da cidade e precisa ficar resguardado. Meu pai guardou a imagem de Brusque e de toda a região. No futuro, esse acervo ficará para a cidade”, afirmou.
Parceria com o CRAS
Além da exposição, o projeto segue durante todo o mês de maio com apresentações do espetáculo Vozes e Memória, em parceria com os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de Brusque. Ao todo, serão realizadas mais 10 sessões voltadas aos grupos atendidos pelos CRAS, mas abertas também ao público em geral, escolas e demais grupos interessados.
Idealizadora do projeto, a escritora, jornalista e produtora cultural Lieza Neves ressaltou a importância de democratizar o acesso à cultura. “Essas pessoas, muitas vezes, estão em situação de vulnerabilidade ou não acessam espaços culturais porque não se sentem parte deles. Queremos popularizar esse acesso, porque cultura é um direito. Esse projeto é financiado por um edital público de cultura e utiliza essa verba para levar cultura às pessoas”, destacou.
Lieza também enfatizou a união entre teatro e exposição. “É a primeira vez que conseguimos unir a peça com a exposição. Além das fotos, temos objetos antigos que despertam muita curiosidade, principalmente nos mais jovens. São equipamentos das décadas de 1950 a 1970, que ajudam a contar essa história”, disse.
Identificação
A atriz Patrícia Souza, que integra o elenco do espetáculo, destacou a recepção do público e o impacto das histórias compartilhadas em cena. “É um espetáculo muito especial de fazer, porque envolve sentimentos e memória afetiva. A oralidade, se não for passada adiante, se perde com o tempo. É muito bonito ver idosos se identificando com as histórias e jovens se encantando ao reconhecer relatos que ouviam dos pais e avós”.
O ator Emiliano de Souza também destacou a troca construída com o público durante as apresentações. “Enquanto contamos as histórias no palco, percebemos um burburinho na plateia, porque as pessoas começam a relacionar aquilo com as próprias vivências, lembram dos pais, avós e de episódios da vida delas. São memórias individuais que se transformam em memória coletiva”, comentou.
Ele ainda ressaltou a importância da preservação dessas histórias. “Queríamos dar às pessoas a oportunidade de acessar essas memórias que muitas vezes acabam se perdendo. Por isso é importante pesquisar, registrar e apresentar essas histórias. Depois das apresentações, muitas pessoas vêm conversar conosco e compartilhar suas próprias lembranças. Enquanto essas histórias forem lembradas, elas continuarão vivas”, completou.
As apresentações do espetáculo Vozes e Memória seguem ao longo do mês de maio, nos períodos matutino e vespertino, na Fundação Cultural de Brusque. O agendamento para escolas e grupos pode ser realizado pelo site vozesememoria.com
ou pelo perfil oficial do projeto no Instagram @vozesememoria.














