O rádio completa 80 anos em Brusque neste domingo (6). A trajetória começou em 6 de setembro de 1946, com a fundação da Sociedade Rádio Araguaia, primeira emissora do município e uma das pioneiras de Santa Catarina. A primeira transmissão pública ocorreu no dia seguinte, durante o desfile de 7 de Setembro.
Em pesquisa sobre a comunicação local, o jornalista e historiador Celso Deucher destaca que a Rádio Araguaia permaneceu durante 36 anos como a única emissora da cidade. A expansão começou em 1982, com a criação da Rádio Cidade. Em 1988, entrou no ar a Araguaia FM, atualmente Massa FM, e, em 1990, foi fundada a Rádio Diplomata FM.
Ao longo das décadas, as emissoras acompanharam o cotidiano de Brusque por meio do jornalismo, do esporte, da música, da religião, do entretenimento e da prestação de serviços. Segundo Deucher, o rádio também funcionou como uma espécie de rede social antes do surgimento da internet, aproximando a comunidade e levando informações em momentos importantes, como enchentes e acontecimentos esportivos.
A pesquisa ressalta ainda a contribuição de diferentes gerações de profissionais. Entre os nomes mencionados estão Saulo Tavares, considerado uma memória viva da radiodifusão regional; Dirlei Silva, reconhecido pela atuação no jornalismo e na prestação de serviços; e Jô Eufrázio, que ajudou a modernizar a linguagem do rádio FM em Brusque.
Para Deucher, mesmo com a evolução dos discos e fitas para computadores, aplicativos, redes sociais e transmissões digitais, o rádio preservou sua principal característica: a proximidade criada pela voz humana.
O jornalista também alerta para a importância de conservar gravações, fotografias, documentos, equipamentos e depoimentos relacionados à história das emissoras. Os resultados ampliados da pesquisa serão publicados na edição de 2026 do Anuário Notícias de Vicente Só, do Museu Casa de Brusque, com lançamento previsto para novembro.
Por que Saulo Tavares ocupa um lugar tão especial nessa história?
Segundo o jornalista, a trajetória de Saulo Tavares praticamente se confunde com uma parte inteira da história moderna do rádio em Brusque e em Santa Catarina. Nascido em 24 de abril de 1947, ele ingressou no mundo radiofônico ainda adolescente, em 1962, aos 15 anos, na Rádio Araguaia. Começou ligado à sonoplastia e às atividades técnicas, em uma época em que trabalhar no rádio exigia um conhecimento profundo dos equipamentos, discos, fitas, mesas de operação e de todos os procedimentos que faziam uma emissora funcionar.
Mais tarde, passou também a atuar como locutor comercial e construiu uma respeitadíssima trajetória no jornalismo esportivo, atividade à qual se dedicou durante aproximadamente 35 anos. Em 2024, Saulo completou 62 anos de atividade radiofônica e, extraordinariamente, continua atuando em 2026. São mais de seis décadas dedicadas ao rádio, atravessando praticamente todas as grandes transformações pelas quais o meio passou: dos discos de vinil às fitas magnéticas, do rádio inteiramente analógico aos computadores, da operação manual à era digital e, mais recentemente, à integração com a internet e as novas plataformas de comunicação.
O jornalista segue:
“Mas a importância de Saulo vai muito além da impressionante longevidade de sua carreira. Ele é reconhecido e respeitado por 4 gerações de profissionais do rádio brusquense e catarinense, tanto por sua trajetória quanto pelo profundo conhecimento que acumulou ao longo de mais de seis décadas.
Poucas pessoas vivas conhecem, com tamanha riqueza de detalhes, os bastidores, os personagens, as histórias, as transformações e o cotidiano que ajudaram a construir o rádio de Brusque e da região. Por isso, considero Saulo uma verdadeira memória viva da radiodifusão brusquense e catarinense. Sua lembrança não está apenas nos microfones pelos quais passou, mas também na capacidade de recordar nomes, acontecimentos, vozes, programas, técnicas, equipamentos e episódios que, sem o seu testemunho, poderiam se perder com o tempo.
Ele é, portanto, uma espécie de arquivo oral da história do rádio, uma fonte privilegiada para quem deseja compreender como esse meio de comunicação se desenvolveu e se transformou ao longo das décadas. No jargão bem-humorado de alguns historiadores, eu diria que Saulo é um dos grandes “dinossauros” do rádio brusquense e catarinense. E digo isso no melhor sentido possível: daqueles raros profissionais que atravessaram gerações, sobreviveram às transformações do tempo e carregam consigo um patrimônio de conhecimento e memória que nenhuma tecnologia é capaz de substituir”, concluiu Deucher.

Imagem: Comunicador Saulo Tavares – Acervo Rádio Araguaia FM
O material completo poderá ser conferido no Anuário do Museu Casa de Brusque que será lançado em novembro.















