Os trabalhadores dos Correios de Santa Catarina encerraram a greve nesta quinta-feira (24/9), após o julgamento do dissídio coletivo da Campanha Salarial 2026/2027 pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Apesar do retorno às atividades, a categoria decidiu manter o estado de greve.
A definição ocorreu durante assembleia promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares de Santa Catarina (Sintect/SC), realizada após o julgamento. No encontro, os trabalhadores avaliaram os principais pontos da decisão e aprovaram o encerramento da paralisação.
Segundo o sindicato, o TST manteve grande parte das cláusulas previstas na sentença normativa anterior, mas promoveu mudanças em temas como pagamento dos salários, compensação dos dias de greve, liberação de dirigentes sindicais, responsabilidade por acidentes de trânsito e benefícios da categoria.
Pagamento dos salários
Uma das alterações diz respeito ao prazo para o pagamento dos salários. Conforme as informações divulgadas pelo Sintect/SC, a nova sentença normativa estabelece que os vencimentos deverão ser pagos até o quinto dia útil do mês seguinte.
Até então, segundo a entidade, o último dia útil do mês era utilizado como referência.
Dias de greve serão compensados
Os dias de paralisação deverão ser compensados pelos trabalhadores. Entretanto, a forma como essa compensação ocorrerá ainda depende da publicação da redação definitiva da sentença.
Questões como número de horas, condições para convocação e eventual compensação aos finais de semana ainda serão analisadas pela assessoria jurídica do sindicato.
O Sintect/SC informou que acompanhará a aplicação das regras e avaliará possíveis irregularidades.
Reajuste de 4,09%
De acordo com o sindicato, o julgamento estabeleceu reajuste salarial de 4,09%. Os efeitos do índice sobre outras parcelas e benefícios ainda deverão ser analisados conforme a redação final da decisão.
Plano de saúde ainda será analisado
Outro ponto considerado importante pela categoria é o plano de saúde. O sindicato afirma que ainda não é possível determinar todos os efeitos da decisão do TST.
A avaliação completa dependerá da publicação do acórdão e da sentença normativa, especialmente porque cláusulas relacionadas ao benefício já foram objeto de decisões no Supremo Tribunal Federal (STF).
Acidentes de trânsito e dirigentes sindicais
A entidade também demonstrou preocupação com mudanças na cláusula que trata da responsabilidade de trabalhadores envolvidos em acidentes com veículos dos Correios.
Segundo o Sintect/SC, a categoria havia conquistado mecanismos de proteção contra responsabilização financeira nesses casos, e a nova decisão poderá alterar essas regras. O tema será submetido à análise jurídica.
Outra mudança envolve a liberação de dirigentes sindicais. Atualmente, dirigentes afastados para atuação sindical têm a remuneração mantida pelos Correios. Conforme o sindicato, com a nova decisão, os custos dessas liberações poderão passar a ser assumidos pelas próprias entidades sindicais.
Outros pontos ficaram de fora
Ainda conforme o Sintect/SC, ficaram fora da sentença itens como gratificação de férias, vale-cultura, adicional de complexidade e programa habitacional.
A assessoria jurídica informou que o conteúdo disponível até o momento apresenta principalmente o resultado dos itens julgados. A entidade aguardará a íntegra dos votos e da decisão para avaliar possíveis embargos, questionamentos ou outras medidas judiciais.
Com o fim da paralisação, o sindicato orientou o retorno dos trabalhadores às unidades e afirmou que continuará acompanhando os efeitos da decisão. A entidade também defendeu a manutenção da mobilização da categoria para as próximas negociações salariais.
















