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Trabalhadores têxteis aprovam reajuste de 5% e encerram negociação coletiva em Brusque e região

Decisão foi tomada durante assembleia realizada no domingo (21)

Fonte: Comunicar Jornalismo - Imagem: Divulgação

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Os trabalhadores da indústria têxtil de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Nova Trento aprovaram, em assembleia realizada na manhã de domingo (21), a contraproposta patronal da Negociação Coletiva 2026/2027. A decisão foi tomada durante reunião promovida pelo Sintrafite no Auditório Luiz Carlos Groh, na sede da entidade, encerrando oficialmente as negociações deste ano.

A proposta aprovada prevê reajuste salarial de 5% para toda a categoria, incluindo os pisos salariais. Com a atualização, o primeiro piso passa a ser de R$ 2.310, enquanto o segundo piso, aplicado após 120 dias, será de R$ 2.415. Também foram mantidos o prêmio assiduidade de até 25% e as demais cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho vigente.

O reajuste tem validade retroativa à data-base da categoria, em maio, o que obriga as empresas a efetuarem o pagamento das diferenças salariais referentes ao período.

Reposição da inflação e ganho real

Durante a assembleia, o presidente do Sintrafite, Altair Stofela, explicou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre maio de 2025 e abril de 2026 foi de 4,11%. Com o reajuste de 5%, os trabalhadores terão reposição integral da inflação e ganho real de 0,89%.

Apesar da aprovação da proposta, Stofela avaliou que a categoria poderia ter demonstrado mais força durante o processo de negociação.

Segundo ele, a mobilização dos trabalhadores é fundamental para ampliar o poder de pressão do sindicato junto ao setor patronal. O dirigente lembrou que a campanha salarial teve início em março, com a elaboração da pauta de reivindicações, e foi marcada por reuniões e tentativas de avanço nas negociações.

Participação da categoria foi tema central

Um dos principais temas debatidos na assembleia foi a baixa participação dos trabalhadores nos encontros promovidos pelo sindicato ao longo da campanha salarial.

Stofela ressaltou que as decisões sobre a negociação coletiva são tomadas nas assembleias e que a participação da categoria é essencial para fortalecer as reivindicações.

O advogado do sindicato, Márcio Silveira, também destacou que a pouca presença dos trabalhadores reduziu a capacidade de pressão por avanços maiores. Ele observou que, caso a negociação fosse levada à Justiça, a tendência seria a aplicação apenas do índice inflacionário.

O dirigente sindical Anibal Boettger reforçou a preocupação com a baixa adesão às assembleias e afirmou que a falta de participação enfraquece o sindicato diante das negociações com o setor patronal.

Durante o debate, trabalhadores presentes também defenderam maior envolvimento da categoria nos processos de negociação e destacaram que o sindicato depende da participação dos próprios trabalhadores para conquistar avanços salariais e de direitos.

Prêmio assiduidade gera discussão

Outro tema amplamente debatido foi o prêmio assiduidade. Stofela explicou que o benefício não é pago por todas as empresas e depende das regras adotadas por cada empregador. Por não integrar o salário, o valor não gera reflexos em direitos como férias, 13º salário e FGTS.

Segundo o presidente do Sintrafite, o objetivo da entidade é priorizar ganhos incorporados ao salário dos trabalhadores.

O advogado Márcio Silveira informou que o sindicato tentou negociar a obrigatoriedade do pagamento do prêmio assiduidade, mas a proposta não foi aceita pelo sindicato patronal. Ele alertou que, em muitos casos, o benefício está condicionado à ausência de faltas e até mesmo de atestados médicos.

Negociação encerrada e foco nas próximas campanhas

Com a aprovação da contraproposta, a negociação coletiva 2026/2027 está oficialmente encerrada. A diretoria do Sintrafite destacou, no entanto, que a mobilização da categoria continuará nas próximas campanhas salariais.

Ao final da assembleia, os dirigentes reforçaram que a busca por valorização profissional, melhores salários e manutenção de direitos depende da participação dos trabalhadores nos espaços de decisão e negociação.

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