A dramaturgia brasileira perdeu nesta terça-feira (18) uma de suas grandes referências. Glória Menezes morreu aos 91 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação sobre a morte foi confirmada pela família.
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, a atriz construiu uma trajetória que passou pela televisão, pelo cinema e pelo teatro. Participou de cerca de 40 produções televisivas e deu vida a protagonistas e vilãs que marcaram diferentes gerações.
Dos primeiros trabalhos ao reconhecimento nacional
Nascida Nilcedes Soares Guimarães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, Glória Menezes iniciou a carreira no teleteatro da TV Tupi.
Em 1959, estreou em novelas com “Um Lugar ao Sol”. No ano seguinte, já usando o nome artístico Glória Menezes, chegou ao teatro em uma montagem de “As Feiticeiras de Salém”, de Arthur Miller, dirigida por Antunes Filho.
O reconhecimento no cinema ganhou força com “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte. No filme, Glória interpretou Rosa, mulher de Zé do Burro, personagem vivido por Leonardo Villar. A produção venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Parceria com Tarcísio Meira marcou a televisão
Na televisão, Glória Menezes se consolidou como um dos principais nomes da dramaturgia nacional. Em 1963, protagonizou “2-5499 Ocupado” ao lado de Tarcísio Meira, com quem formaria uma das parcerias mais conhecidas da televisão brasileira.
Os dois se casaram no mesmo ano e tiveram Tarcísio Filho, que também seguiu carreira artística. Glória também foi mãe de Maria Amélia e João Paulo, de um relacionamento anterior.
Personagens que ficaram na memória
Entre os trabalhos mais lembrados da atriz está “Brega & Chique”, de 1987. Na trama, ela interpretou uma dona de casa que se torna milionária após receber uma herança.
Outro papel marcante veio em “Rainha da Sucata”, de 1990, quando interpretou a vilã Laurinha Figueroa, uma das personagens de destaque de sua trajetória.
Glória Menezes também ficou conhecida pela dedicação às personagens. Em “Jóia Rara”, de 2013, raspou a cabeça para interpretar uma monja tibetana. No teatro, também passou pela transformação para a peça “Jornada de um Poema”, em 2000.
Trabalhos no cinema e no teatro
No cinema, a atriz voltou às telas em 2006 com “Se Eu Fosse Você”, dirigido por Daniel Filho.
Nos palcos, um de seus últimos grandes retornos aconteceu em 2013, com a peça “Ensina-Me a Viver”.
Na televisão, um dos últimos papéis de destaque foi em “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016. Na novela, interpretou Stelinha, mãe do personagem vivido por Fábio Assunção.
Legado para a dramaturgia brasileira
Com uma carreira que atravessou mais de seis décadas, Glória Menezes deixa seu nome marcado na história da televisão, do cinema e do teatro brasileiro.
Sua trajetória reuniu personagens de diferentes perfis e produções que acompanharam gerações de brasileiros, consolidando a atriz como uma das grandes referências da dramaturgia nacional.
















