A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Brusque promoveu, nos dias 27, 28 e 29 de agosto, o ciclo de palestras “Os desafios da inclusão nas escolas e o fortalecimento da rede”. Realizada na Uniasselvi Brusque, a programação reuniu profissionais da Educação do município e da própria entidade para três dias de formação e troca de conhecimentos sobre temas relacionados à inclusão, desenvolvimento infantil, aprendizagem e saúde.
Ao longo do evento, especialistas abordaram assuntos como intervenção precoce no desenvolvimento, a parceria entre a Apae e a rede de educação, os impactos do uso de telas na aprendizagem e o uso de medicamentos na infância.
Fortalecimento da rede
De acordo com a orientadora pedagógica e articuladora de Educação Especial da Apae de Brusque, Anelyn Pinheiro, o ciclo de palestras surgiu a partir da Mostra de Trabalhos, realizada pela entidade desde 2018.
“Percebemos a necessidade de ir além de mostrar os nossos trabalhos e materiais e oportunizar aos profissionais da Educação o contato com especialistas sobre inclusão. O principal objetivo do ciclo é justamente o fortalecimento da rede de educação, para que possamos discutir, trocar conhecimentos e caminhar na mesma direção em busca de uma inclusão cada vez mais efetiva”, destacou.
Segundo Anelyn, os temas foram definidos também a partir das demandas percebidas no contato da Apae com a rede de educação, entre elas questões relacionadas à intervenção precoce, desenvolvimento infantil, uso de telas e medicamentos na infância e adolescência.
“A escola é, depois da família, um dos principais espaços sociais em que a criança vai crescer. Por isso, queremos contribuir também para a formação desses profissionais e para que as pessoas com deficiência estejam cada vez mais incluídas nesses espaços. Ficamos muito felizes com o retorno dos participantes, tanto em relação aos temas quanto aos palestrantes, e já recebemos sugestões para uma próxima edição”, completou.
Inclusão e desenvolvimento infantil
A programação do primeiro dia foi conduzida pelo psicólogo, professor e investigador da Universidade de Évora, em Portugal, Vítor Franco. Durante a formação, ele abordou os desafios da educação inclusiva e os novos modelos de intervenção precoce no desenvolvimento infantil.
“A escola não se torna inclusiva simplesmente por receber crianças com transtornos do desenvolvimento. Ela precisa ser inclusiva antes, ter características e um funcionamento que considere toda a diversidade das crianças. O professor não está trabalhando com pessoas iguais, mas com diferentes capacidades, características, ritmos, motivações e formas de atenção. Precisamos encontrar outras formas de organizar a escola para que ela responda a essa diversidade”, destacou o palestrante.
Na segunda parte de sua palestra, o especialista tratou dos chamados modelos de terceira geração de intervenção precoce, que colocam a família no centro do processo e consideram as experiências e rotinas da criança como parte de seu desenvolvimento.
“Quando pais, familiares e professores estão preparados para aproveitar as experiências da vida da criança, eles também podem promover o seu desenvolvimento”, explicou.
Aprendizagem e saúde
No segundo dia, a equipe de Orientação Pedagógica da Apae de Brusque apresentou o case “Apae e rede de educação: parceria que dá certo”. A programação também contou com a médica neuropediatra Cristina Maria Pozzi, que abordou o tema “O uso de telas e o impacto na aprendizagem”.
Encerrando o ciclo, no dia 29, o médico Luis Fernando Medeiros, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência, apresentou a palestra “O uso de medicamentos na infância”.
“Falamos sobre as principais classes de fármacos utilizadas nos tratamentos em psiquiatria da infância e adolescência, como antipsicóticos, estabilizadores de humor, antidepressivos e estimulantes, além das principais indicações de tratamento. Também abordamos diagnósticos que estão em foco atualmente, como autismo, TDAH, depressão e ansiedade, e os principais mitos e preocupações de pais e profissionais da saúde relacionados à prescrição de medicamentos na faixa etária infantil”, finalizou Medeiros.














