A Prefeitura de Brusque informou nesta terça-feira (19) que o servidor André Cristiano Archer pediu exoneração do cargo de diretor da Defesa Civil. O pedido foi protocolado e aceito pelo município no mesmo dia.
A manifestação ocorre após a condenação de André Archer pela Vara Criminal da Comarca de Brusque em ação que apurou um suposto esquema de “rachadinha” envolvendo cargos comissionados em gestões anteriores do município.
Em nota oficial, a Prefeitura de Brusque destacou que os fatos investigados são anteriores à atual gestão e afirmou que o caso não possui relação com as diretrizes adotadas pela administração atual. O município também ressaltou que a decisão judicial ainda é de primeira instância e não possui trânsito em julgado, cabendo recursos por parte da defesa do ex-servidor.
Confira a nota na íntegra:
“A Prefeitura de Brusque informa que o servidor André Cristiano Archer protocolou hoje (19) seu pedido de exoneração do cargo que ocupava na atual administração, o qual foi aceito.
A respeito das notícias veiculadas pela imprensa, o Município esclarece, ainda, que os fatos objeto da ação judicial são estritamente pretéritos, ocorridos em gestões anteriores, não guardando qualquer relação com as diretrizes ou o período da presente gestão.
Por fim, por se tratar de uma decisão de primeira instância e sem trânsito em julgado, o andamento dos recursos cabíveis corre exclusivamente no âmbito da defesa individual do citado”.
O que diz a defesa?
André Christiano Archer disse ter recebido “com surpresa esta decisão, na medida em que sou completamente inocente quanto as acusações infundadas que foram realizadas. Vou recorrer e confio que o Tribunal reconhecerá a minha inocência”, disse.
Saiba mais
A Vara Criminal da Comarca de Brusque condenou quatro pessoas em ação que apurava um suposto esquema de “rachadinha” envolvendo cargos comissionados na administração pública municipal. Foram condenados o ex-secretário de Desenvolvimento Regional de Brusque, Jones Bosio, o ex-vereador Cleiton Luiz Bittelbrunn, o atual diretor da Defesa Civil, André Christiano Archer, e o ex-diretor de Patrimônio Aloiz Alex Diegoli.
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), os investigados foram acusados de concussão — prática popularmente conhecida como “rachadinha”. Segundo a acusação, servidores comissionados indicados politicamente eram pressionados a repassar parte dos salários em dinheiro vivo como condição para permanecer nos cargos públicos.
A investigação apontou que o esquema teria ocorrido entre os anos de 2020 e 2021, envolvendo cobranças mensais feitas a servidores municipais de Brusque. De acordo com o processo, as exigências eram realizadas diretamente ou por intermédio de outros integrantes do grupo, com valores variando entre R$ 500 e R$ 1,5 mil.
Os acusados negaram as acusações:
Cleiton Bitelbrun afirmou ao jornalismo da Rádio Araguaia que irá recorrer da decisão.
Aloiz Diegoli se manifestou por meio do advogado Dr. Guilherme Schiocchet: “Na qualidade de defensor de Aloiz Alex Diegoli informo que estamos analisando os termos da decisão e, por ora, estamos estudando a conveniência e a viabilidade de eventual recurso pois no caso do Aloiz a condenação foi substituída por multa e serviço comunitário. Porém, desde já, registra que a imputação de prática de concussão não encontra amparo no conjunto probatório dos autos. A conduta atribuída a Aloiz foi lícita, como sempre foram todas as suas condutas quando atuava junto à municipalidade, não havendo elemento de prova que autorize qualquer conclusão em sentido contrário”, declarou Dr. Guilherme.
Por fim, a reportagem mantém o espaço aberto à defesa do ex-secretário regional Jones Bósio.
















