Há exatos 20 anos, quando os brusquenses celebravam o 138º aniversário de fundação da Colônia que originou o Município, materializou-se uma antiga aspiração.
Após dez anos de articulação, como presidente da Comissão Organizadora do Traslado (decreto nº. 4.083/98), em 31 de julho de 1998, de Pelotas (RS), o historiador Paulo Vendelino Kons conduzia a urna contendo os restos mortais do Conselheiro Francisco Carlos de Araújo Brusque e familiares, até o quartel da 1ª. Companhia de Polícia Militar (hoje 18 º. BPM).
O feito tornou-se um dos capítulos mais simbólicos da história de Brusque, sendo resgatado em artigo do historiador Paulo Vendelino Kons, ao destacar a trajetória do Conselheiro Francisco Carlos de Araújo Brusque e o retorno de seus restos mortais ao município, ocorrido em 1998.
De acordo com o historiador, a vinda do conselheiro para Brusque, mais de um século após sua morte, representou a concretização de um antigo desejo da comunidade local. O traslado, realizado após anos de articulação, trouxe os restos mortais do estadista de Pelotas (RS) para a cidade que leva seu nome, em uma cerimônia marcada por homenagens oficiais e grande participação popular.
A trajetória de Araújo Brusque está diretamente ligada à formação do município. Nomeado presidente da Província de Santa Catarina em 1859, ele foi responsável por incentivar a colonização da região do Vale do Itajaí-Mirim, acompanhando a instalação das primeiras famílias imigrantes em 1860. O desenvolvimento dessas colônias deu origem ao núcleo que, anos mais tarde, se tornaria a cidade de Brusque.
Apesar de inicialmente a localidade ter recebido outras denominações, o nome Brusque acabou sendo consolidado oficialmente em 1890, já no período republicano, em reconhecimento à atuação do conselheiro. Curiosamente, segundo o artigo, o próprio Araújo Brusque teria recusado a homenagem ainda no período imperial, mas o nome acabou sendo adotado pela população e mantido ao longo do tempo.
Além da atuação em Santa Catarina, o conselheiro também teve papel relevante em outras regiões do país, tendo presidido a Província do Grão-Pará e ocupado cargos de destaque no Império, como ministro da Marinha e conselheiro próximo de Dom Pedro II.
O artigo também ressalta aspectos pessoais do estadista, destacando sua formação jurídica, sua atuação política e o legado deixado à família e ao país. Araújo Brusque faleceu em 1886, em Pelotas, sendo lembrado como uma figura marcada pela honradez e pelo compromisso com o serviço público.
Para o historiador, a memória do conselheiro permanece viva não apenas no nome do município, mas também nos valores e na história que ajudou a construir, reforçando a identidade de Brusque ao longo das gerações.















